A VIOLÊNCIA
Na semana passada foi notícia, naturalmente triste, mais um desentendimento de dois agentes ou intervenientes no fenómeno taurino, com subsequente agressão.
Anunciámos recentemente o propósito de dissecação da problemática da violência e sua repercussão no mundo dos toiros.
O referido acontecimento confere, assim, foros de actualidade a um tal assunto e daí a sua tempestiva abordagem na presente crónica.
Do latim violentia, ou seja, qualidade do que é violento, acto violento, acto de violentar, chegamos ao lusitano adjectivo violento, sinónimo de “oposto ao direito ou à justiça”.
Curiosamente, no já distante dia em que atingimos a maioridade, uma revista da época falava de zanga entre “El Cordobés” e Paco Camino, assim legendando a fotografia que retratava a altercação. E, no respectivo desenvolvimento, recordava-se como é corrente a luta entre o toureiro e o touro, sendo invulgaríssimo, pelo menos, na arena, uma luta de dois toureiros, em desacordo quanto à concretização de um quite. Pois, em Aranjuez, após o primeiro ter concluído a lide, matando de estocada, o segundo “saiu-lhe ao caminho, em plena arena e os dois envolveram-se num triste espectáculo de luta livre. Ainda levou algum tempo antes que os membros das duas quadrilhas e os dirigentes da corrida conseguissem separar os dois litigantes. Tudo acabou, no entanto, com um grande aperto de mão e muitos aplausos”.
É do domínio público a existência de processos judiciais relacionados, directa ou indirectamente, com concretas prestações taurinas.
Os primeiros dissídios sobre o cartel da corrida de quinta-feira na próxima Feira da Moita, na vertente da forcadagem e as versões veiculadas pelos próprios, por pouco não conheceram a resposta do desforço físico – foi-nos pessoalmente garantido por um dos elementos da terna desavinda…
Q. Bocayuva, no seu artigo “Dous Factos”, no Paiz, do outro lado do Atlântico, vai para 200 anos, opinou nunca a violência fundar nada que fosse perdurável, com o crime a não servir para alicerçar obra sólida e correcta. “Victimar um homem não importa sufocar uma ideia ou destruir uma instituição. Só as causas vencidas e os partidos desalentados podem recorrer, na cegueira do desespero, a tais expedientes condenáveis (…)”.
Se “o toureio é a arte de dominar os toiros numa praça fechada, a arte do perigo e do esforço perante o risco”, urge que os mais ardentes se esforcem por, preventivamente, dominar ímpetos e calcar emoções, assim acautelando o futuro dum são relacionamento entre quem vive do ou para o espectáculo tauromáquico.
Quanto à mencionada pendência, oxalá o aludido epílogo espanhol ilumine os envolvidos.
É que o arruaceirismo é perigosa arma de arremesso, de destrutiva propaganda, nas mãos daqueles que tentam influenciar, nos areópagos comunitários, o futuro a reservar à Tauromaquia.