EM VILA FRANCA DE XIRA,
Destaque para Rouxinol e Diogo Pereira
Na tarde de 7 de Maio as portas da Palha Blanco abriram-se para uma corrida à portuguesa com os cavaleiros Rui Salvador, Luís Rouxinol e José Manuel Duarte, os forcados locais e os de Coruche, de Vasco Dotti e Amorim Ribeiro, respectivamente, com toiros bem apresentados de Joaquim Grave.
O director de serviço foi Ricardo Pereira, ele próprio e até há pouco elemento do grupo vilafranquense e filho também dum antigo forcado do mesmo núcleo, Rodrigo Pereira, que se vem revelando um fadista poderoso, de méritos firmados, que daqui se saúda gostosa e merecidamente..
A praça registou fraca entrada de público, abaixo da meia lotação.
Rui Salvador, no que rompeu praça, distinguiu-se na brega com que o embarcou e colocou e em dois ferros curtos com a marca da casa, em que contou com a preciosa colaboração do cavalo com ferro da Coudelaria Nacional. No seu segundo, voltou a vir ao de cima a sua capacidade de lidador, mostrando-se ao oponente, embarcando –o na garupa das montadas com uma brega encimista para o deixar em sorte, ao melhor estilo do toureio a pé e a isso se limitou o seu labor porque o adversário era de meias arrancadas e algumas vezes se adiantou na altura da reunião.
Luís Rouxinol arrecadou merecidamente o prémio em disputa para a melhor lide e também, tal como o forcado ganhador para o outro troféu destinado à melhor pega, o nosso próprio voto no contexto do júri que integrámos por expressa solicitação do empresário, o que se ficou a dever à sua prestação no segundo da ordem, um animal cheio de sentido, com o qual se distinguiu outra vez na ferragem comprida, na linha, de resto, do que sucedera em Almeirim poucos dias antes, pois suportou e dominou perseguições e sobressaiu em pormenores de brega, alegrou-o à voz, endireitou-o e ganhou ele próprio a linha do oponente, quando necessário.
No seu segundo, o de Pegões houve-se com um cornúpeto reservado, manso encastado, de pouca mobilidade no início da lide, que modificou depois o seu comportamento, pois investiu na segunda parte da mesma, para inviabilizar a prestação do cavaleiro porquanto se adiantava no momento da reunião, inclusive na tentativa de cravagem do par de bandarilhas, que apenas resultou na proporção de metade, para se tapar no ferro de palmo apontado ao primeiro intento.
José Manuel Duarte regressou àquela praça cheio de ganas, pelo que recebeu o primeiro do seu lote, reservon, preto listão e emorrilhado, com a quadrilha recolhida. Porém, o toiro pouco correu, deixando, inclusive, de o fazer na passagem dos compridos para os curtos, com excepção da pega em que assim colaborou para o êxito do jovem e valoroso forcado Diogo Pereira, um nome a fixar no baralho respectivo. Assim, o cavaleiro escalabitano teve de porfiar para cobrar os ferros, também em sortes paralelas às tábuas e em terrenos diversos.
O mesmo se diga do adversário que fechou praça, que se empregou mais, adiantando-se, todavia, nos curtos e assim retirou brilho ao trabalho do artista.
Por Vila Franca saltaram as tábuas Pedro Castelo, que consumou à segunda, Diogo Pereira, à primeira, na pega da tarde e o regressado, experiente e valoroso José Carlos Patusco, que só concretizou ao terceiro intento.
Por Coruche foram à cara dos toiros Carlos Tomás, que ficou à segunda tentativa, Pedro Crispim e o cabo, ambos à primeira.