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_______________________Toiros XXI
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(Artigos de opinião de Manuel José Gomes Vaz Craveiro)
 




       
 
 
   

     

Visão empresarial: quem a tem, chama-lhe sua…

A 24 de Agosto de 2002 assistimos no Coliseu Figueirense a uma tourada nocturna, com aquela data a recair num sábado, óbvio aliciante para permitir aos aficionados em sentido amplo o gozo dum serão taurino com a antecipada certeza de, no horizonte imediato, acederem ao dia de descanso semanal. Todavia,
nem esse aspecto chegou para a mobilização das pessoas, registando a praça uma escassa entrada de público, pelo que, na teia, testemunhámos presencialmente a desolação do empresário, que ali ponderava a hipótese da subsequente entrega das chaves da praça aos seus donos.
No período intervalar desde então decorrido e apenas com excepções confirmatórias, a regra foi a da subida da ladeira do calvário pelos responsáveis da exploração do recinto, em face do alheamento das pessoas aos cartéis oferecidos pelas empresas, com a “praia da claridade” ameaçada de ir fazer companhia, em termos tauromáquicos, a alguns baluartes ribatejanos que, agora mesmo, fazem a sua “travessia do deserto”.
Todavia, Manuel Gonçalves e os irmãos Matias, que este ano levaram a praça, são a prova provada de que as diferenças naturais que existem entre dois indivíduos estão na base do triunfo de uns e na derrota de outros. Na verdade,
é preciso ter valor para assumir o comando dum tauródromo afundado, sem que o vizinho Oceano Atlântico tivesse o que quer que fosse a ver com isso… e, em três semanas consecutivas, conseguir uma casa cheia de entrada e cerca de duas meias, depois, com o primeiro dos referidos espectáculos a ser transmitido em directo via televisão e assim entrando pelos lares de muita gente, dessa forma sensibilizada por aquilo que lhe era dado ver, porque confrontada com a galhardia, valor, arte, exposição e entrega de diversos intervenientes, com a Festa a colher dividendos dessas duas modalidades de propaganda.
Saudamos, pois, quem arriscou e ganhou e consideramos que a gestão de 2006, misturando, na oferta ao público, a segurança da experiência de alguns com a ousadia da juventude de outros, foi positiva, logo, por definição, a merecer continuidade e aprofundamento das fórmulas utilizadas nas futuras montagens de cartéis.

     

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