O VANTAGISMO e os DIREITOS DOS
ANIMAIS (V)
Por último, refira-se João CABRAL VALENTE, oportuna
e merecidamente recordado nas páginas deste jornal, afinal
o grande responsável e principal dinamizador da excelente
página taurina das edições das quartas-feiras
do extinto Mundo Desportivo, que, nesse tipo de colaboração,
a propósito de um tema - A Equitação do
Toureio - ele mesmo merecedor de tratamento autónomo
no defeso agora iniciado, se pronunciou da seguinte forma:
"As normas do toureio foram forjadas e evoluíram
na preferência do mais difícil ao mais fácil.
Dentro deste critério, que exalta a valentia, o garbo
e, ao mesmo tempo, a dignidade do homem perante o irracional,
estabeleceu-se como primeiro tempo das sortes de frente - por
seu turno, as mais difíceis - o "cite". Na
observância do secular princípio ético de
que "mais vale" (é mais meritório) "perigar
esperando do que ferir fugindo", o cavaleiro deve desafiar
o bruto e conceder-lhe prioridade de ataque".
"Por nunca poupar o merecido reparo aos cavaleiros que
evitam citar, perguntavam-me, há dias, se não
seria, por vezes, exigente de mais.
O "cite" é, como se sabe, o primeiro tempo
das sortes; e estas são o que de essencial e mais difícil
existe no toureio equestre.
O facto de ser o tempo inicial das sortes, tomado como mera
formalidade, não constituiria, de certo, motivo bastante
para a exigência. O problema é outro e mais complexo;
é de natureza ética e técnica; é
da essência do próprio toureio.
Homem e touro, frente a frente, leva vantagem o que se antecipar
na saída, na partida, na arrancada.
Foi ponto de honra e princípio que se transportou para
o toureio-arte que o homem - ser racional - havia de ceder,
lealmente, ao bruto o máximo de vantagens. Logo, falseia
e trai esse elementar princípio, sempre que, em vez de
as dar, as toma para si. Esta, a questão moral".
A tirania da gestão do espaço jornalístico
impõe que se relegue para outra oportunidade a continuação
da transcrição do pensamento do egrégio
aficionado, que até postumamente continuou a servir a
Festa, através da doação feita pelos seus
familiares ao Município da Azambuja de valioso espólio
tauromáquico.
Se, nas bancadas do velho Campo Pequeno, genuína catedral
do toureio, houvesse um sector especifico para os aficionados
de postim, firmes na apologia do verdadeiro e intransigentes
na denúncia do errado, à semelhança do
célebre tendido sete da Monumental de las Ventas, o ilustre
articulista teria ali lugar cativo, na companhia dos já
citados Mário Carmona e Fernando Sommer d'Andrade, bem
como de Jorge e José Rosa Rodrigues, Alberto Reis Cunha
e Manuel Azambuja, entre tantos outros.
(continua)