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_______________________Toiros XXI
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(Artigos de opinião de Manuel José Gomes Vaz Craveiro)
 




       
 
 
   

     

O VANTAGISMO e os DIREITOS DOS ANIMAIS (V)


Por último, refira-se João CABRAL VALENTE, oportuna e merecidamente recordado nas páginas deste jornal, afinal o grande responsável e principal dinamizador da excelente página taurina das edições das quartas-feiras do extinto Mundo Desportivo, que, nesse tipo de colaboração, a propósito de um tema - A Equitação do Toureio - ele mesmo merecedor de tratamento autónomo no defeso agora iniciado, se pronunciou da seguinte forma:
"As normas do toureio foram forjadas e evoluíram na preferência do mais difícil ao mais fácil. Dentro deste critério, que exalta a valentia, o garbo e, ao mesmo tempo, a dignidade do homem perante o irracional, estabeleceu-se como primeiro tempo das sortes de frente - por seu turno, as mais difíceis - o "cite". Na observância do secular princípio ético de que "mais vale" (é mais meritório) "perigar esperando do que ferir fugindo", o cavaleiro deve desafiar o bruto e conceder-lhe prioridade de ataque".
"Por nunca poupar o merecido reparo aos cavaleiros que evitam citar, perguntavam-me, há dias, se não seria, por vezes, exigente de mais.
O "cite" é, como se sabe, o primeiro tempo das sortes; e estas são o que de essencial e mais difícil existe no toureio equestre.
O facto de ser o tempo inicial das sortes, tomado como mera formalidade, não constituiria, de certo, motivo bastante para a exigência. O problema é outro e mais complexo; é de natureza ética e técnica; é da essência do próprio toureio.
Homem e touro, frente a frente, leva vantagem o que se antecipar na saída, na partida, na arrancada.
Foi ponto de honra e princípio que se transportou para o toureio-arte que o homem - ser racional - havia de ceder, lealmente, ao bruto o máximo de vantagens. Logo, falseia e trai esse elementar princípio, sempre que, em vez de as dar, as toma para si. Esta, a questão moral".
A tirania da gestão do espaço jornalístico impõe que se relegue para outra oportunidade a continuação da transcrição do pensamento do egrégio aficionado, que até postumamente continuou a servir a Festa, através da doação feita pelos seus familiares ao Município da Azambuja de valioso espólio tauromáquico.
Se, nas bancadas do velho Campo Pequeno, genuína catedral do toureio, houvesse um sector especifico para os aficionados de postim, firmes na apologia do verdadeiro e intransigentes na denúncia do errado, à semelhança do célebre tendido sete da Monumental de las Ventas, o ilustre articulista teria ali lugar cativo, na companhia dos já citados Mário Carmona e Fernando Sommer d'Andrade, bem como de Jorge e José Rosa Rodrigues, Alberto Reis Cunha e Manuel Azambuja, entre tantos outros.
(continua)

     

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