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_______________________Toiros XXI
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(Artigos de opinião de Manuel José Gomes Vaz Craveiro)
 




       
 
 
   

     

O VANTAGISMO e os DIREITOS DOS ANIMAIS (IV)


MASCARENHAS BARRETO, já referido de passagem no inicio deste trabalho, no seu interessante e recomendável livro "CORRIDA - BREVE HISTÓRIA DA TAUROMAQUIA EM PORTUGAL", frequentemente disponibilizado nas montras dos alfarrabistas lisboetas, recorda que, a quando da proibição, em Portugal, dos torneios e duelos, pelo impacto repercutido nas fileiras militares, a quem competia a defesa do Reino, os soberanos e fidalgos passaram a combater toiros, como preparação para as batalhas. Contudo, sublinha, "nas suas justas com as feras, sempre os cavaleiros tauromáquicos respeitaram regras tradicionais de combate (Negritos da nossa iniciativa e responsabilidade), ainda nos nossos dias (por referência a 1970, ano da edição da obra, aditamos nós) se respeitando esses preceitos de luta".
Mais à frente, na descrição das regras a observar para a cravagem dos ferros, sustenta que o toiro nunca deve ser atacado quando parado ou desatento ao ataque do cavaleiro; "em Portugal, a justa entre o Cavaleiro e o Toiro reveste-se dum simbolismo especial e exige que sejam respeitadas regras tradicionais de combate: o toiro só pode ser citado de longe, para que se aperceba da presença do adversário e para que contra ele invista; pode também citá-lo de rosto a rosto (de caras), estando a coluna vertebral do cavalo bem na do alinhamento da do toiro; este só pode ser ferrado se arrancou, em franca investida, para o cavaleiro e nunca a trote".
FERNANDO SOMMER D'ANDRADE, in O TOUREIO EQUESTRE EM PORTUGAL, refere-se ao cite da seguinte forma:
"Citar é o acto de chamar, de fazer comparecer ao encontro, de determinar o toiro a que invista.
Pelo citar, deve o cavaleiro fazer-se ver pelo toiro, prender a sua atenção, mostrar que o não deseja surpreender, caso em que deve ser tomado como falta de confiança nas suas possibilidades, quando não de medo.
O citar pode e deve ser feito com graça, com leveza, de modo a entreter o público, mas pode o cavaleiro fazer muitas e bonitas habilidades ao citar, se o toiro não estiver com atenção ao cavalo quando este parte na sua direcção, não passa de teatro sem valor tauromáquico. É uma mentira!
Pode citar-se parado ou em movimento, de largo ou em curto. Quando em movimento, deve o cavalo avançar muito lentamente se o toiro for "suave" ou mais ligeiro, no caso do toiro ser "duro". Quando o toiro é "tardo", tem o cavaleiro de aproximar-se, de porfiar em curto para provocar a investida".
E, logo de seguida, sob a epígrafe O AGUENTAR, escreveu:
"Provocada a investida, para cumprir com a regra de não fugir, ou sequer virar a cara ao adversário, tem o cavaleiro de aguentar a investida sem sair da trajectória do toiro".
O insigne e saudoso aficionado, agora no 1º volume da sua obra TOUREIO A CAVALO, sentencia:
"(…) Ainda hoje, nenhuma coisa, na praça, tem mérito se não for efectuada com galhardia, com coragem, dando todas as vantagens físicas à fera, para que seja vencida apenas pela inteligência, sem traição; assim se manteve a norma de que o toureiro, tanto a cavalo como a pé, que se preze, nunca deve atacar um toiro descuidado, que o não esteja a ver perfeitamente e, sempre que possível, do mesmo modo, não deve tomar a iniciativa do ataque, mas, pelo contrário, esperar que o toiro inicie a ofensiva para então lhe sair ao caminho. A isto chama-se esperar aguentando (…).
(continua)

     

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