O VANTAGISMO e os DIREITOS DOS
ANIMAIS (IV)
MASCARENHAS BARRETO, já referido de passagem no inicio
deste trabalho, no seu interessante e recomendável livro
"CORRIDA - BREVE HISTÓRIA DA TAUROMAQUIA EM PORTUGAL",
frequentemente disponibilizado nas montras dos alfarrabistas
lisboetas, recorda que, a quando da proibição,
em Portugal, dos torneios e duelos, pelo impacto repercutido
nas fileiras militares, a quem competia a defesa do Reino, os
soberanos e fidalgos passaram a combater toiros, como preparação
para as batalhas. Contudo, sublinha, "nas suas justas com
as feras, sempre os cavaleiros tauromáquicos respeitaram
regras tradicionais de combate (Negritos da nossa iniciativa
e responsabilidade), ainda nos nossos dias (por referência
a 1970, ano da edição da obra, aditamos nós)
se respeitando esses preceitos de luta".
Mais à frente, na descrição das regras
a observar para a cravagem dos ferros, sustenta que o toiro
nunca deve ser atacado quando parado ou desatento ao ataque
do cavaleiro; "em Portugal, a justa entre o Cavaleiro e
o Toiro reveste-se dum simbolismo especial e exige que sejam
respeitadas regras tradicionais de combate: o toiro só
pode ser citado de longe, para que se aperceba da presença
do adversário e para que contra ele invista; pode também
citá-lo de rosto a rosto (de caras), estando a coluna
vertebral do cavalo bem na do alinhamento da do toiro; este
só pode ser ferrado se arrancou, em franca investida,
para o cavaleiro e nunca a trote".
FERNANDO SOMMER D'ANDRADE, in O TOUREIO EQUESTRE EM PORTUGAL,
refere-se ao cite da seguinte forma:
"Citar é o acto de chamar, de fazer comparecer ao
encontro, de determinar o toiro a que invista.
Pelo citar, deve o cavaleiro fazer-se ver pelo toiro, prender
a sua atenção, mostrar que o não deseja
surpreender, caso em que deve ser tomado como falta de confiança
nas suas possibilidades, quando não de medo.
O citar pode e deve ser feito com graça, com leveza,
de modo a entreter o público, mas pode o cavaleiro fazer
muitas e bonitas habilidades ao citar, se o toiro não
estiver com atenção ao cavalo quando este parte
na sua direcção, não passa de teatro sem
valor tauromáquico. É uma mentira!
Pode citar-se parado ou em movimento, de largo ou em curto.
Quando em movimento, deve o cavalo avançar muito lentamente
se o toiro for "suave" ou mais ligeiro, no caso do
toiro ser "duro". Quando o toiro é "tardo",
tem o cavaleiro de aproximar-se, de porfiar em curto para provocar
a investida".
E, logo de seguida, sob a epígrafe O AGUENTAR, escreveu:
"Provocada a investida, para cumprir com a regra de não
fugir, ou sequer virar a cara ao adversário, tem o cavaleiro
de aguentar a investida sem sair da trajectória do toiro".
O insigne e saudoso aficionado, agora no 1º volume da sua
obra TOUREIO A CAVALO, sentencia:
"(
) Ainda hoje, nenhuma coisa, na praça, tem
mérito se não for efectuada com galhardia, com
coragem, dando todas as vantagens físicas à fera,
para que seja vencida apenas pela inteligência, sem traição;
assim se manteve a norma de que o toureiro, tanto a cavalo como
a pé, que se preze, nunca deve atacar um toiro descuidado,
que o não esteja a ver perfeitamente e, sempre que possível,
do mesmo modo, não deve tomar a iniciativa do ataque,
mas, pelo contrário, esperar que o toiro inicie a ofensiva
para então lhe sair ao caminho. A isto chama-se esperar
aguentando (
).
(continua)