O VANTAGISMO e os DIREITOS DOS
ANIMAIS (III)
Jayme Duarte de Almeida, que nos legou valioso e extenso espólio
tauromáquico, que integra, além da Enciclopédia
Tauromáquica e da História da Tauromaquia, esta,
de dois volumes, Os Mexicanos em Portugal, A Festa Brava e Diamantino
Vizeu, aficionado prático que se revelou, apresentando-se
como amador no verão de 1933 na praça então
existente na sempre aficionada Idanha-a-Nova, lidando inclusivamente,
mais tarde, reses em pontas, define o cite como "qualquer
movimento ou chamada com a voz que o toureiro realize tendo
por fim prender a atenção do toiro ou provocar
a sua investida. O cite é, a bem dizer, indispensável
em todas as sortes propriamente ditas, constituindo como que
a sua preparação. Como é óbvio,
a maneira como é feito o cite (posição
relativa entre toureiro e toiro, distância entre ambos,
etc.), varia de sorte para sorte e em função das
condições e faculdades que o toiro oferece, assim
como dos estados que atravessa durante a lide. O cite presta-se
a atitudes e movimentos que podem não só valorizar
as sortes como embelezá-las extraordinariamente. Em especial
nas sortes de bandarilhas, nas do toureio a cavalo e na execução
das pegas - já que o capote e a muleta oferecem limitado
campo para variações - o cite tem grande expressão,
não sendo raro conseguir-se, através dele, prender
o espectador e levar-lhe momentos de beleza e emoção
que o predispõem ao aplauso entusiástico. Pode
assim dizer-se que o cite faz parte integrante de uma sorte,
posto que a sua expressão artística muito pode
beneficiar com ele".
Gregório Corrochano, in Teoria de las Corridas de Toros,
a propósito da sorte de varas, diz que, sem cite, não
há toureio, o picador deve citar no sítio adequado,
mas citando e não fazendo a estátua equestre;
o cite é tão indispensável na sorte de
varas como em qualquer sorte do toureio a pé e se cita
com o cavalo, com a voz e levantando o braço da garrocha.
Extremar o cite é necessário, porque muitos toiros
são tardos e é um recurso valente que sempre se
aplaudiu.
Leopoldo Vasquez e outros, co-autores de La Tauromaquia, fecundo
trabalho que se desdobra por dois extensos volumes e que foi
escrito debaixo da orientação técnica do
grande Rafael Guerra, Guerrita, falam do grito viril e poderoso
do cite, da lealdade no cite.
O nosso Solilóquio, na sua obra derradeira, sugestivamente
titulada de O corte da coleta, sublinha que dados cavaleiros
cravaram ferros compridos "sem se fixar no cite".
(continua)