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_______________________Toiros XXI
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(Artigos de opinião de Manuel José Gomes Vaz Craveiro)
 




       
 
 
   

     

O VANTAGISMO e os DIREITOS DOS ANIMAIS (II)


Nos últimos tempos e na imprensa tradicional da especialidade sucedem-se as referências, seja em forma de entrevista, de artigo de opinião, de crónicas ou resenhas de espectáculos, às vantagens dadas - ou a dar - aos toiros, à importância concedida - ou a conceder - aos ferros compridos, o que se saúda.
Na verdade, citando de novo D. Bernardo da Costa, refira-se que consta dos tratados que as sortes têm três tempos - a entrada, o centro e a saída.
E, em tal matéria, José Tello Barradas, em "Meio século de toureio e glória", dada à estampa em 1964, a propósito da carreira do cavaleiro João Branco Núncio e comentando a sua primeira prestação naquele ano no Campo Pequeno, diz que o ginete de Alcácer, no seu primeiro, lhe deu a tal prioridade de partida que, "no dizer de alguém, é supra-sumo do toureio".
Na mesma obra, em entrevista concedida por João Núncio, este, uma vez confrontado com a eventualidade da existência de desvantagem para o cavaleiro em dar a prioridade de partida ao toiro, retorquiu:
"Desde que o toiro seja franco na arrancada e venha pelo seu caminho, só há vantagem para o cavaleiro em o deixar partir primeiro".
Uma vez aqui chegados, pergunta-se: Como aplicar na prática o propósito referido da concessão das ditas vantagens aos oponentes?
Em artigo que publicámos já há anos recordámos que, na luta da inteligência contra a força, no combate do racional contra o irracional, devem ser dados a este todos os trunfos.
E assim se coloca a questão do cite, do seu valor e importância no contexto da lide.
O Dr. Mário Carmona, distinto aficionado e médico operador, não nos deixou apenas uma brilhante folha de serviços prestados à maioria dos toureiros colhidos em Portugal no passado século. Com efeito, publicou nas páginas saudosas do Mundo Desportivo uma série de artigos que, depois, reuniu em opúsculo, sob o título "A Tauromaquia e a sua Expressão nas Artes Plásticas". Aí, de forma lacónica, mas, nem por isso, menos sugestiva, diz que citar (o toiro) é "excitar a sua codícia".
(continua)

     

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