O VANTAGISMO e os DIREITOS DOS
ANIMAIS
Em plena luta barranquenha
pelo reconhecimento oficial duma prática que se legitimara
pela sua ancestralidade, um homem que, no dizer de D. Bernardo
da Costa, tinha todas as qualidades, inclusivamente a de não
ser aficionado, exarou:
"Os animais não têm direitos, por isso mesmo
que não têm obrigações. Onde foi
que estes exilados do senso comum descobriram o código
animal?
Dizem as Escrituras: animalia propter homines. Os animais existem
por causa dos homens, pelo que seria absurdo transferir para
eles os sentimentos morais e os predicados que excedam a esfera
dos puros instintos.
Deve, pois, o problema ser posto em sede da ética do
toureio, a qual, para J. C. Arévalo, se baseia na relação
do homem com o toiro, no respeito que aquele lhe dispensa enquanto
o toureia e o mata. Por isso, a lide estipula umas normas de
cumprimento obrigatório para o toureiro, enquanto que,
obviamente, ao toiro seria absurdo impor-lhe alguma.
A publicação do livro Filosofia da Corrida, do
gaulês Francis Wolff, propiciou o ensejo duma alusão
à codificação ética que defende
o toiro durante o seu combate.
Já mestre Corrochano escreveu sobre o abuso de um torpe
conceito vantagista da lide, a qual não é vantagem,
antes recurso de bom toureiro.
Mascarenhas Barreto fala, por sua vez, no "respeito por
regras tradicionais de combate".
(continua)