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_______________________Toiros XXI
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(Artigos de opinião de Manuel José Gomes Vaz Craveiro)
 




       
 
 
   

     

Em Tomar,
                 o tempo voltou para trás.

Mostrando-se o “Equador da temporada” já ultrapassado, 3 de Setembro foi o dia escolhido para a realização na aficionada cidade dum festival taurino inserido nas comemorações das bodas de oiro do grupo de forcados da terra.
Importa referir, de entrada, que recuámos dezenas de anos, cerca de trinta, ao vermos antigos elementos, alguns dos quais primeiras figuras da forcadagem de outrora, participando das cortesias e aí ouvindo e recolhendo os primeiros e devidos, porque merecidos, aplausos.
E a própria disposição em praça, no seu ineditismo para as mais de quatro décadas que já levamos de acompanhamento do fenómeno tauromáquico, vestiu por um figurino carregado de simbolismo.
Com efeito, os membros do grupo que se fardaram organizaram-se por épocas definidas pela presença de três antigos cabos, cada um deles acompanhado por elementos que serviram durante a respectiva chefia e alinhando na arena, à frente e à direita, os mais antigos, ladeados à esquerda pela versão seguinte, posicionando-se numa segunda fila, pela mesma ordem, o inesquecível António Graça e os seus homens e, a seu lado, Carlos Alberto Fernandes, cabo actual, com os forcados de hoje.
No fundo, tratou-se de levar à prática a ideia das famílias, mesmo que apenas taurinas, vistas como agrupamentos que integram os de ontem e os de hoje e a que se associarão os de amanhã, unidos por um ideal comum, qual seja o de enfrentamento, desafio e imobilização desse maravilhoso animal que é o toiro de lide, guiados pela história da formação a que pertencem e a que protestaram dar continuidade na geração – que é a sua! – em que lhes foi dado viver a juventude e servir a colectividade em que se inserem.
E tudo isso com observância dos valores tradicionais, na circunstância, o culto da antiguidade e o respeito pela hierarquia, expressivamente patenteados no posicionamento que observaram dentro da circunferência.
Jorge Carvalho, na sua veste de cabo mais velho, abriu praça, como manda a tradição, pegando à primeira; Pedro Miguel, a dobrar seu irmão, João Pedro, ambos filhos de Pedro Sousa, que também vestiu aquela jaqueta, fechando-se ao primeiro intento; José Brito, grande forcado de outras épocas, consumou ao segundo encontro; Bruno Silva honrou o brinde efectuado à poetisa, ganadera e aficionada, Senhora Dona Maria Teresa Grave, neutralizando o adversário numa rija barbela à primeira tentativa, com o toiro a derrotar e em que Vasco Miguel foi o eficiente ajuda de serviço; o veterano António Lapa alardeou toda a sua técnica numa pega feita à primeira vez, em que passou da barbela para a córnea, com Bruno Silva a rabejar espectacularmente; a função foi encerrada por Luís Campino, forcado de agora, que se embarbelou bem, ainda à primeira.
Se António Mourão fosse aficionado e tivesse estado na cidade do Nabão naquela tarde agradável, podia dizer ao poeta que escreveu a letra que talvez mais o popularizou, ter a respectiva súplica sido finalmente atendida, porquanto, ainda que pelo tempo breve dum espectáculo taurino, intervenientes e espectadores observaram um saboroso regresso aos anos 70 do passado século.

     

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