Simão Comenda e Paulo Vacas de Carvalho
A inclusão dum curro de toiros de Pablo Romero no cartel da corrida de Maio em Montemor é pretexto para algumas considerações sobre o perfil taurino dos elementos da empresa que leva o velho tauródromo alentejano.
A lide em Portugal de produtos da célebre vacada andaluza, referenciada em Verão perigoso, de Ernest Hemingway, como tendo no seu seio animais tão “possantes como três camiões juntos”, ou pelo nosso Jayme Duarte de Almeida, in Enciclopédia Tauromáquica, como “ganadaria de fama, assente na excelência dos seus toiros, na sua corpulência e tipo, na sua presença e poder”, constituía um duplo risco, económico, desde logo, pelo elevado custo de aquisição, muito acima da média dos preços praticados na parte Ocidental da Península, artístico, por outro, pela lide a cavalo de reses seleccionadas com vista ao toureio a pé. Mas a aficion de Simão Comenda e Paulo Vacas de Carvalho falou mais alto e o sonho, que deve comandar a vida, tornou-se realidade.
Um aplauso, pois, o nosso olé, direccionado aos referidos empresários, aficionados de solera, hoje, forcados renomados que o foram, ontem.
De há muito estava pensado – e até prometido – um apontamento de homenagem a estas duas singulares personalidades do mundillo.
O povo, na sua milenária sabedoria, diz que”a ocasião faz o ladrão”.
Assim é que Simão Comenda integrou e sobressaiu numa das gerações de oiro do valoroso grupo montemorense, de que outro Simão, de apelido Malta, foi cabo fundador em 1939 e que, nos anos 60, chefiado por Joaquim José Capoulas, passeou a sua classe pelas arenas.
Mais tarde, já retirado, reapareceu ainda pontualmente, quer no país, quer no estrangeiro, em selecções de forcados que chegou inclusive a comandar.
Paulo Vacas de Carvalho, com menos 20 anos, foi também excelente elemento dos amadores de Montemor, forcado da cara, primeiro, cabo do grupo, depois, fazendo parte e chefiando outra das composições mais destacadas do categorizado agrupamento.
Pois esses dois amigos, uma vez concluídas as respectivas carreiras, seguiram em frente, mantendo a ligação à Festa, agora também – e já há anos – na via empresarial, explorando a praça da sua terra e organizando espectáculos de que não têm estado ausentes os nomes mais sonantes da nossa cavalaria, toiros de etiologia incontroversa e o seu grupo de sempre, este, exclusivamente por mérito próprio, solitário triunfador de algumas dessas corridas em que a fama das ganadarias não conduziu ao proveito esperado e, consequentemente, o nível veio a menos na vertente equestre.
Simão e Paulo, vai por vós!