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_______________________Toiros XXI
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(Artigos de opinião de Manuel José Gomes Vaz Craveiro)
 




       
 
 
   

     

A ÚLTIMA CORRIDA DE TOIROS EM SALVATERRA VIII 

“Que admira que se exija do cavaleiro-toureiro, muito do que se exige do matador: cite, aguente, ritmo, descontracção, suavidade, etc.
Não há só bons toureiros que matam mal, há, igualmente, maus toureiros que matam bem.
A sorte de matar é de todas, a que, pela sua contingência, mais merece a designação de sorte.
E é uma sorte com características distintas das restantes e porque o matador tem que se preocupar com a actuação simultânea de cada uma das suas mãos, cada uma empunhando instrumentos diferentes e independentes, com finalidades também diferentes, todavia, afins; porque tem uma técnica própria e exige um jeito especial – que alguns matadores sentem não possuir; porque o touro está em condições diferentes daquelas em que decorreu a faina e resultantes da mesma faina; porque, pela sua contingência, exige do diestro um valor que ultrapassa o necessário para, só com o capote, ou só com a muleta, esperar, parado, a investida porque, em qualquer outra sorte, pode imprimir-se ao engano uma variedade e amplitude de movimentos que um braço – o esquerdo – cruzado à frente do corpo, está impossibilitado de proporcionar, etc. etc.
Há, sim, bons toureiros que têm valor para esperar o touro, sem arredar pé e para correr a mão, mas que o não têm para executar uma sorte distinta de todas as outras em que são capazes de se parar; há bons toureiros que têm valor para esperar o touro, sem arredar pé e que o teriam para a sorte suprema mas que a executam mal por falta de jeito; há maus toureiros que dificilmente se param, que codilham, mas que, por terem apanhado o jeito de matar, se confiam nessa sorte; e, de todos esses, há raríssimos que sejam capazes de sequer esboçar a sorte a receber.
Quando alguém pretende alcançar um animal, por exemplo, qual a ocasião que prefere: aquela em que ele está em movimento ou em repouso. E entre pessoas, não se passa a mesma coisa? E se os dois elementos em jogo forem o homem e o touro, não estará ainda em desvantagem o que esperar parado? Sem dúvida! Vantagem ilícita levará o toureiro se, em vez de esperar o ataque, tomar dele a iniciativa. Dentro dos princípios do toureio, o artista pára-se e aguenta e, só depois do inimigo arrancar, fará o que for mister. É assim, deverá ser assim, em todas as sortes do toureio a pé, da pega e do toureio a cavalo. Em todas, menos em duas: o volapié e a pega de cernelha – esta, pelas suas características muito especiais”.                                                        
                                                                                                      (continua)

     

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