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_______________________Toiros XXI
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(Artigos de opinião de Manuel José Gomes Vaz Craveiro)
 




       
 
 
   

     

A ÚLTIMA CORRIDA DE TOIROS EM SALVATERRA VI

Voltando a Salvaterra e às cambiadas, cumpre dizer que só com elas houve expressivo movimento na plateia.
Protagonizou o referido entusiasmo popular o cavaleiro Pedro Salvador, em tempo de relançamento de carreira, agora que dispõe da mais valia, em termos de apoderamento, de poder contar com taurinos da importância dum António Manuel Cardoso e de José Manuel Martins da Silva.
Isto porque, por duas vezes, ali mesmo debaixo do local privilegiado onde nos encontrávamos, recebeu a investida do oponente que, para o efeito, não se fizera rogado e, num palmo de terreno, cambiou, reuniu, cravou e saiu.
Esses lances foram de tal ordem que, pelo menos, num deles, em que o conjunto e o adversário como que formavam uma só peça, tivemos a colhida em cheio por inevitável.
Depois do espectáculo, um antigo cavaleiro de alternativa recordava-nos, além do mais, a idade do cavalo, entretanto regressado à quadra do jovem cavaleiro e os riscos inerentes à sua utilização.
Breve nos ocorreu a habitual postura no duelo judiciário e a necessidade de exposição da contrária perspectiva. Destarte,
obtemperámos com o mérito duma montada que, veterana das arenas, assim consentia a arrancada e a aproximação do cornúpeto, mesmo tendo que vencer – e de que maneira! – o seu próprio instinto de defesa, para já não falar do valor do ginete ao tolerar ser abordado nos seus próprios terrenos, que também ele os tem, tal como o toiro.
Há, assim, cambiadas e cambiadas, isto é, sortes em que o cavaleiro parte para a reunião e, diferentemente, outras em que espera para tal fim.
As primeiras, muito menos meritórias na sua mais fácil execução técnica, são, por isso mesmo, as mais frequentes, nos tempos de menor rigor que agora nos é dado viver.
As outras, “vinho de outra pipa”, surgem raramente nas arenas, quando as aptidões e o grau de ensino dos corcéis e as características e condições do inimigo catapultam o toureiro para a sua prática, com o mérito correspondente.
E o relevo destas últimas melhor se aferirá num quadro de comparação com o que se passa no toureio a pé.
Raul Nascimento, inesquecível apoderado de Paulo Caetano, também ele vítima de José Saramago na razia saneadora perpetrada no Diário de Notícias em tempos abrilinos, homem de assinalável dimensão humana, empresarial e aficionada, incluído por Pepe Luís na sua obra “Lisboa das toiradas” (P. 359) como um dos então mais modernos bandarilheiros amadores, foi a primeira pessoa ao vivo que nos distinguiu a sorte a receber do volapié, pontuando-as diversamente.
                                                                                                             (continua)

     

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