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_______________________Toiros XXI
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(Artigos de opinião de Manuel José Gomes Vaz Craveiro)
 




       
 
 
   

     

A última corrida de toiros em Salvaterra V

Depois, na escolha e desenho das sortes do toureio, a utilização preferencialmente das cambiadas por um dos intervenientes na corrida daquela tarde ribatejana.
Não é lisonjeira a opinião que formulamos duma tal opção no contexto respectivo, para o que, de resto, estamos excelentemente acompanhados. Na verdade, começando pelo fim, fomos à procura de SOLILÓQUIO, autêntico gigante das letras taurinas planetárias, em demanda não orientada fisicamente e, da sua incontornável obra, extraímos sobre o tema as seguintes pinceladas, bem à sua maneira, em frases curtas e, ao mesmo tempo, tão incisivamente certeiras:
“As cambiadas atiram o touro para um lado, para que o cavalo saia pelo outro, a distância que baste para o cavaleiro deixar o ferro espetado. Como adorno, passam; como regra, nunca. São um engano. E um engano que tem menos desculpas nas nossas praças, onde os touros são embolados e, as mais das vezes, nem touros são (…). E, quanto mais fraco é o inimigo, maior censura merece o descarado engano que com ele se faça”. (Na arena ao cair da tarde, P.71).
“(…) mas cedendo ao hábito das cambiadas que desfiguram os encontros e fazem fáceis as palmas (…)”. (Aquela tarde de Agosto, P.17).
“As cambiadas têm como efeito natural colocar as hastes longe do estribo” (Ao soar dos clarins, P.108).
“(…) Na base das sortes cambiadas, logo, aliviadas”. (Os clarins da esperança, P.105).
“(…) Cambiadas, sorte que, com o devido respeito, dá para enganar ao mesmo tempo o touro e o público.”. (Idem, P.137).
“Mas a cambiada é uma sorte vistosa onde a verdade do toureio a cavalo é mandada dar uma curva. E fica aquilo que todos vimos, os que não nos rendemos ao vistoso artifício: o cavalo a enganar o touro por um lado e a safar-se pelo outro, e, de cima dele, o cavaleiro, se a distância o consente, a cravar à pescador, quase sempre, descaradamente, à garupa, saindo disparado a agradecer a euforia do pagode”. (Às cinco da tarde, P. 164).
“(…) essas cambiadas que as hastes deixam longe do estribo”. (Meio século depois, P.130).
“e cambiada para cima dele, cravando descaradamente à garupa, nem toda a gente foi no engodo, (…) no toureio há sortes que podem ser sobremesa, mas não servem para prato de sustento, farófias,  só depois do prato principal”.(Aquela faena, P.113).
“(…) não resistiu à tentação das cambiadas”. (Idem, P.127).

                                                                                                       (continua)

     

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