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_______________________Toiros XXI
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(Artigos de opinião de Manuel José Gomes Vaz Craveiro)
 




       
 
 
   

     

A última corrida de toiros em Salvaterra III

E, mais adiante:
“ E sobre a intervenção do velho Marialva, nada diz. Evidentemente, ela não se deu; Rebelo da Silva tomou uma licença literária que realçou brilhantemente a sua crónica. Nem seria de esperar que um homem com sessenta e seis anos, evidentemente, no declínio da vida e a não ser duma energia formidável que não é vulgar em pessoas dessa idade, pudesse descer a uma arena para estoquear um toiro, embora dessangrado e já abatido pelos passes”.
De Francisco Câncio publicou-se a citada obra no bem distante ano de 1941, altura em que esse autor já pertencia ao Instituto de Coimbra, ao Instituto Português de Arqueologia, História e Etnografia e ao grupo “Amigos de Lisboa”.
Não vão decorridas mais do que algumas, poucas, semanas, desde que fomos alertados para a existência do livro “O último Távora”, de José Norton, nos escaparates das livrarias, já com duas edições, desde o Outono transacto, bem como para as referências nele existentes à morte do desditoso fidalgo.
Sendo assim, como é, transcreva-se o que dali consta sobre tal matéria (pág. 81/82):
“O povo adora touradas e, depois da tragédia do Conde dos Arcos, que morreu em Samora Correia, Assumar é o fidalgo que eles mais gostam de ver tourear (…).
A Rainha estava em Salvaterra e, para divertimento da Corte e do povo da região, mandou organizar uma corrida na quinta Real, em Samora (…)
Saiu um touro grande e ágil. O conde, depois de o ter cansado alguma coisa, espetou-lhe a primeira farpa. O animal, enfurecido, perseguiu, primeiro, o cavalo, mas, depois, estacou. Parecia que queria acumular força e raiva até explodir. D. Manuel tentava em vão provocar nova arrancada. Foi rodopiando em volta do touro em círculos cada vez mais apertados. Levou a temeridade ao ponto de parar na cara do touro. Fez-se um silêncio absoluto quando voltou a parar, quebrado, logo de seguida, quando o animal, apanhando a parte traseira do cavalo, o fez desequilibrar e cair pesadamente sobre o cavaleiro. O meu pobre amigo deve ter morrido logo, já não sentindo as repetidas cornadas que o touro lhe deu, antes que viessem socorrê-lo. A tourada nesse dia ficou por ali e, desde então, a Rainha não voltou às corridas”.
Mais à frente (pág. 149), há ainda uma outra menção ao Conde dos Arcos e à sua morte na fatídica corrida de Samora Correia.
                                                                                                         (Continua)

     

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