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_______________________Toiros XXI
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(Artigos de opinião de Manuel José Gomes Vaz Craveiro)
 




       
 
 
   

     

A última corrida de toiros em Salvaterra II

Francisco Câncio, autor, entre outros, do livro “A Festa Brava” que, significativamente, se distende ao longo de 600 páginas, ali refere:
            “O episódio da morte do Conde dos Arcos consagrou as toiradas reais em Salvaterra e apaixonou, pela intensidade dramática e pelo colorido da cena, outras grandes penas da literatura portuguesa”, citando e até transcrevendo o que ao nosso Eça se ofereceu sobre o assunto.
Seguidamente, escreve: “Falar de toiradas em Salvaterra é evocar este drama, relatado mais tarde em noites tumultuosas e alegres de fados e guitarradas (…)”.
E, por falar nisso, ali pelos anos 70, acedemos a uma gravação em disco feita por Rodrigo que, na música do fado da Freira e com um título à volta da última toirada real em Salvaterra, na linha da versão sustentada por Rebelo da Silva, assim deixou para a posteridade:
 “Conta-nos a tradição/ que em tempos que já lá vão/ o Pombal em franca guerra/ acabou para nunca mais/ com as toiradas reais/ em praça de Salvaterra/ Toureava nesse dia/ ante nobre fidalguia/ o jovem Conde dos Arcos/ cujo sangue valoroso/ por capricho desditoso/ na arena ficava em charcos/ De Marialva o Marquês/ olha o toiro que desfez/ o seu filho tão amado/ e diz a El-Rei com fervor/ eu vos juro meu Senhor/ o Conde será vingado/ El-Rei nega por temor/ mas desvairado pela dor/ o Marquês saltou p’rá praça/ E vinga com decisão/ pela sua própria mão/ o sangue da sua raça/ Então El-Rei que chorava/ ao ministro que aguardava/ disse: Marquês de Pombal/ jamais, fica ordenado/ haverá no meu reinado/ outra tourada real.
Voltando ao autor ribatejano, recorde-se a passagem onde escreveu:
“Chega a ser penoso desfazer a tradição a que Rebelo da Silva deu vida e, contudo, vimo-nos forçados a fazê-lo (…).Sobre a morte trágica do Conde dos Arcos, escreveu Júlio de Sousa e Costa in Memórias do capelão dos Marialvas:
“A trágica morte do 7º Conde dos Arcos teria passado despercebida se o espírito cintilante de Rebelo da Silva não tivesse gizado os períodos brilhantíssimos da Última Corrida de Toiros em Salvaterra.
A imaginação apaixonada, viva e romântica do escritor legou-nos essa jóia literária, que ele não teve, certamente, a pretensão de fazer passar por histórica, porquanto o Rei D. José I, que ali figura, já estava a essa hora depositado em S. Vicente de Fora e o Marquês de Pombal, no exílio (…), mas “estas linhas não têm a pretensão de criticar o deslize literário do falecido escritor”.
                                                                                                             (continua)

     

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