QUITE na FAENA
de LUÍS MIGUEL
Sosseguem os aficionados que o tema é actual, o que inviabiliza a possibilidade de ter algo a ver com o mais novo e valioso dos Dominguin, Luís Miguel de nome próprio, que nos deixou há alguns anos.
O mesmo se diga de Luís Miguel da Veiga, já retirado e que no próximo dia 28 cumpre 40 anos de alternativa, tirada no velho Campo Pequeno, com seu padrinho Ribeiro Telles a empolgar o público e o autor destas linhas na lide do quinto da ordem, da sua própria ganadaria.
Na verdade, a actuação em questão é de outro Luís Miguel, Pombeiro de apelido, entretanto regressado aos ruedos da imprensa taurina, em retorno de evidente sabor toureiro.
Ora, o conhecido articulista, no primeiro número do jornal, publicou várias fotografias do cavaleiro João Salgueiro a propósito da sua triunfal actuação no renovado Campo Pequeno, sob a epígrafe “Palavras para quê?” .
Daí a oportunidade da nossa saída ao quite, o que se faz da seguinte forma:
Por um lado, destacando a personalidade artística do ginete de Valada, que leva nas veias o sangue toureiro do pai e, sobretudo, do avô. Na verdade, Salgueiro é, taurinamente falando, um artista desconcertante, capaz, pois, do melhor e do pior.
E se no toureio há uma escala de pontuação para premiar quem o mereça e penalizar o menos bom, se, na lide equestre, importa sobretudo o que se faz com o toiro por diante, que é quando o risco do combate com a fera atinge o escalão máximo, então acreditemos que João Salgueiro, há várias temporadas a poder contar com um cavalo da categoria do Van Gogh, como outrora se prevaleceu do Herói e do Isco, ambos com ferro da casa e até mesmo do Fuzileiro, ferro Rio Frio, embora de mais modesta galáxia, em dia ou noite sim por banda do conjunto e com toiro à medida, uma vez posta de parte a mentira das cambiadas, é capaz de proporcionar à aficion o prazer de grandes actuações, com a casta necessária para estar por cima do azar do ferro inicial e dos assobios que o esperavam.
Por outro, uma breve dissertação sobre o toureio a cavalo que temos por mais valioso, porque verdadeiro.
Ora, analisando por hoje apenas o tema dos terrenos, cumprirá dizer que o cavaleiro tem de se mostrar bem de frente ao toiro, uma vez este colocado em sorte, desafiá-lo, partir recto e, uma vez atingidos os terrenos daquele, quartear-se, reunir com o centro da sorte dominado, cravar, rematar, se possível e sair.
E o que tantas vezes acontece, mas não com o cavaleiro de dinastia ora em apreço, é a viagem, na ferragem curta, em linha oblíqua, no confronto com o percurso do hastado´, o mesmo é dizer que com terreno livre e disponível para dispersar, fugindo e assim obviar ao perigo do encontro frontal.
Estas considerações assentam como uma luva à aludida noite salgueirista, com o cavaleiro a trazer ao renovado Campo Pequeno a verdade e a emoção do toureio de frente, assim fazendo jus, dentro dos critérios de isenção proclamados como eleitos para a sucessiva montagem de cartéis, à sua repetição no momento tido por oportuno ao longo da temporada.