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_______________________Toiros XXI
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(Artigos de opinião de Manuel José Gomes Vaz Craveiro)
 




       
 
 
   

     

O PRÉMIO PARA A MELHOR LIDE

            De vez em quando, como suplementar aliciante, em sede de propaganda, do espectáculo tauromáquico, as empresas, singulares ou colectivas, suas promotoras, ou até mesmo terceiros, alheios à organização, estes, por razões de mera aficion ou de marketing direccionado às actividades profissionais que desenvolvem, instituem benesses para os diversos intervenientes, contemplando a bravura ou a apresentação do toiro, a melhor pega ou, no contemporâneo Portugal das touradas, a melhor lide a cavalo.
Assim aconteceu em parte na nocturna do passado dia 14, com que se encerrou a tradicional e prestigiada feira de Abiul.
Uma vez mais por gentileza da empresa autárquica local que leva a carismática praça, que então apresentava a significativa e reconfortante lotação de três quartos muito fortes em termos de preenchimento, integrámos o júri que, com a mesma composição do pretérito ano, esteve encarregado da atribuição de prémios para a melhor lide e melhor pega.
De há muito que vimos sustentando que uma tal tarefa, de reconhecida complexidade, deveria ser confiada, no tocante às pegas, aos antigos forcados, encontrando-se então presentes, por sinal, entre outros, João Cortes, Carlos Empis, Lopo de Carvalho e João Simões.
Quanto ao toureio a cavalo, devem os seus antigos cultores ser convidados para tal fim, emprestando à delicadeza do trabalho crítico a autoridade e competência decorrentes do “saber de experiência feito”.
Mas, enquanto essa antiga sugestão não é atendida e corporizada, com mais facilidade pode suceder a existência de alguma discrepância, a apontar para a prevalência de decisões meramente majoritárias, muito embora se desconheça a existência de qualquer norma que imponha a votação una voce …
No caso concreto, tendo havido unanimidade na selecção daquela que terá sido a melhor pega, o mesmo não sucedeu na vertente equestre, com o júri dividido quanto ao artista a premiar.
E, para isso, pode ter contribuído a ausência de clarificação do significado a conferir à expressão “um prémio para a melhor lide”.
Como pontapé de saída para o debate que se impõe, a nosso ver, sem esperar pelo defeso, em que o desenvolvimento e as particularidades das actuações se desvanecem, ultrapassadas até pelas exigências e preocupações do quotidiano, recorde-se que, objectivamente, a lide do toiro será o trabalho realizado na arena pelo cavaleiro para conseguir cravar a chamada ferragem da ordem e, tantas vezes, não só ela…
Ou, por outras palavras, a lide será um acervo de condutas levadas a cabo pelo toureiro em ordem a lograr o domínio do adversário com que peleja, a sequencial execução das várias sortes em que se desdobra o trabalho a fazer com os toiros que se enfrentam.

     

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