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_______________________Toiros XXI
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(Artigos de opinião de Manuel José Gomes Vaz Craveiro)
 




       
 
 
   

     

NO HAY QUINTO MALO

        De quando em quando, mormente nos tendidos e no callejón das praças espanholas, quando se mostra concluída a lide do quarto da ordem e os olhares convergem para o "túnel das surpresas" de que nos falava o egrégio crítico taurino José Picão Tello, à espera do soar do clarim que antecede - e anuncia - a saída do próximo toiro, formula-se um voto de expectativa - e de esperança - por recurso ao velho prolóquio que titula esta crónica. Vejamos, então, algo do que está escrito - e comentado - sobre o assunto.
Jayme Duarte de Almeida exprimiu-se nos termos que, com a devida vénia, se passa a transcrever:
"Velho adágio taurino, com que se pretendia fazer acreditar que, em regra, eram bons os toiros lidados em quinto lugar nas corridas de toiros em Espanha.
No tempo em que foi criado, tinha este adágio certa razão de ser, visto que, pertencendo aos criadores destinar a ordem de saída, à arena, dos toiros que forneciam, era corrente procurarem colocar nos primeiro, quinto e sétimo lugares - especialmente no quinto - os toiros que maior confiança lhes merecessem no que respeitava a bravura e nobreza.
Muito embora essa escolha tivesse consequências um tanto contingentes, assim mesmo saíam com frequência em quinto lugar os mais bravos toiros de cada corrida. Mais tarde, apesar de estabelecidos os sorteios, continuou-se, no entanto, a dizer que no hay quinto malo, embora sem qualquer significado ou razão válida, até porque são inúmeros os casos em que se verificou o contrário".

LUIZ FERNANDEZ SALCEDO, in VINTE TOIROS DE MARTINEZ, opina:
"Daí a importância que os ganadeiros antigos concediam à circunstância de abrir ou fechar praça e por que procuravam deixar para quinto lugar o toiro de mais confiança, considerando que nele acabava a corrida e para que o público levasse, se fosse caso disso, um bom sabor de boca, que o sexto toiro não proporciona tão cabalmente, porque as pessoas já estão pensando em retirar-se, ou se retiram, efectivamente, ao dar dos seis primeiros muletazos, agora e quando eu era rapaz, ao tocar para bandarilhas".

Por último, diz DON VENTURA, na obra "A Tauromaquia no século XIX":
"A conhecida frase (…), aplicada ao toiro que se lida em quinto lugar, tem a sua origem em que, quando os ganadeiros se arrogavam a faculdade de estabelecer a ordem em que os seus hastados haviam de ser lidados, destinavam o de melhor nota para ser corrido no dito posto".

A transmissão televisiva de 17 de Junho último da corrida de Albacete trouxe-nos um encierro de Las Ramblas caracterizado pela mobilidade e pela ânsia de provocação para o arranque imediato.
Mas o quinto do lote, genuinamente bravo, foi o toiro da corrida, desaproveitado na parte derradeira do último tércio, esfumando-se por isso a possibilidade da concessão do indulto, que, ele próprio, merecia, bem como o seu criador e também os aficionados.
Assim, naquela tarde taurina e pelo tempo breve da respectiva lide, a tradição marcou presença e voltou a ser o que era…

     

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