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_______________________Toiros XXI
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(Artigos de opinião de Manuel José Gomes Vaz Craveiro)
 




       
 
 
   

     

David Ribeiro Telles - IV

David Ribeiro Teles parece, agora, apontado ao verdadeiro caminho. E de que maneira esboça trilhá-lo: Clássico a montar, admirável a tourear.
David Teles, intransigente a citar, demonstrou que até os mansos – mais do que pode julgar-se – são susceptíveis de acudir. A questão está em os cavaleiros terem valor para os desafiar e para o fazerem da distância adequada. Quando apenas se simula o cite, excedendo essa distância – variável de touro para touro – nem os mais bravos se arrancam.
David mostrou-se e, igualmente, procurou ligar a si o inimigo. Esteve diligentíssimo e acertado. Bom ferro o terceiro comprido, concedendo prioridade de ataque ao touro, muito bom, o primeiro curto. Primorosa a saída em falso a sesgo, acabando por rodar, para dentro, na cabeça do hastado, que, entretanto, tomara a garupa da montada.
Na lide a duo, David, além do mais, sobressaiu em pormenores, estupendos, nomeadamente, numa saída em falso, a sesgo e em boas preparações”.
            Noutra ocasião, no Campo Pequeno, “David Ribeiro Teles alcançou o final da época com um grande passo em frente. Teve fases primorosas. Evolucionou muito sereno, com apreciável lentidão e ritmo. Consumou quarteando-se em sortes à tira, de magnífico desenho, muito próximas da de cara e em sortes de cara, saindo muito recto para o touro. De quando em quando, entrou por terrenos de grande peso. Cravou de maneira invulgarmente correcta.
De salientar, o segundo comprido e os dois curtos, estupendos pelo desenvolvimento das sortes e pela maneira como se quarteou e esperou para apontar ao estribo. De anotar, também, boas preparações. No quinto, praticou lide certa e agradável de seguir. Em alardes de excelente calção e cuidando de não atacar o adversário, mostrou-se-lhe bem, encheu-o de cavalo e procurou dar-lhe a sensação de ser receado. Rematou as sortes, não raro, levantando o braço e cravando de alto a baixo, com elegância”.
De novo em corrida de fecho de época, no Cartaxo, “David, dentro do estilo senhorial que tão bem se coaduna com as tradições do nosso toureio a cavalo, admirável na sela, movendo-se com lentidão e ritmo, desenvolveu lide repassada de classicismo. Esteve certo e correcto em tudo. Partindo de cerca, sem traições a um touro que não acudiria ao cite, cravou bons ferros, de frente.
No quinto, o cavaleiro lidou com elegância, serenidade e inteligência, sem recurso a velocidades e mostrando bem, através da mobilidade e ensino das suas unidades de combate, para que serve a boa equitação no toureio. Serve, fora de dúvida, para se tourear de facto! O cavaleiro procurou citar, encher o manso de cavalo e convencê-lo à luta. Admirável a forma como apontou o segundo comprido, levantando bem o braço para sangrar de alto a baixo”.
                                                                                                            (continua)

     

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