David Ribeiro Telles - III
Na corrida comemorativa dos 40 anos de alternativa do cavaleiro João Núncio, que então doutorou também José Samuel Lupi, “frente ao quinto touro – manso, quedado – David Ribeiro Teles imprimiu a quanto fez acentuado cunho de academismo.
Esteve muito diligente, procurando um luzimento que o inimigo, a cada instante, lhe negou. Preocupou-se em citar e em mostrar-se. Cravou três compridos e um curto, sendo despedido com muitos aplausos”. Por sua vez,
em espectáculo que tinha por especial aliciante um mano-a-mano entre Diamantino Vizeu e Manuel dos Santos, consignou-se:
“David Ribeiro Teles, em fase de extraordinários progressos (vem a talho de foice recordar que nos situamos no Verão de 1961, aditamos nós…), parece ter, finalmente, encontrado o bom caminho, que é, além do mais, o que mais se ajusta às suas admiráveis qualidades de equitador. Citou, com frequência; reduziu, de quando em quando, a velocidade; quarteou-se e, algumas vezes, aguentou e levantou muito bem o braço para sangrar. David Teles esteve acertado na lide, chegando a atingir o brilhantismo”.
Em corrida a favor da benemérita Casa Pia de Lisboa, coeva da anterior, “David Ribeiro Teles, no conjunto da sua exibição, demonstrou considerável melhoria, com seu talhe de cavaleiro fino. Citou de início, dando, como lhe cumpria, prioridade de saída ao inimigo. Teve o mérito de, por vezes, aguentar no final da viagem e no quarteio. Merece referência o terceiro comprido, pela maneira como o cavaleiro levantou o braço para sangrar. Foi frequentemente aplaudido”.
Outrossim da mesma altura e com o subtítulo “David Teles triunfou em mérito real”, escreveu-se:
“David Ribeiro Teles, no seu primeiro, foi, em mérito real, o triunfador da noite. Desenhou muito bem as sortes – algumas primorosamente – usando de relativa lentidão, aguentando, por vezes e quarteando-se para sangrar. Esta exibição marca um passo em frente”.
E, em corrida no Cartaxo, de encerramento oficial da temporada, “David Ribeiro Teles demonstrou, acima de tudo, classe. Esteve vistoso e acertado na lide. À tira, levanta bem o braço e aponta de alto a baixo. Prende um bom ferro, de frente, a sesgo. Exibe o magnífico ensino do corcel. Pisa terrenos e torneia o inimigo, executando um ar de alta escola. Mostra-se ao novilho e desafia-o em beleza. A duo com D. José Ataíde, abstiveram-se da traição de aproveitar o ressalto e intervieram à vez, verificando-se, frequentemente, admirável trabalho de conjunto, nas preparações e quites. Os cavaleiros evitaram a prática de aparecer de surpresa ao inimigo. David Teles confirmou a classe antes evidenciada, em alguns ferros e, sobretudo, em preparações repassadas de expressão toureira”
(continua)