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_______________________Toiros XXI
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(Artigos de opinião de Manuel José Gomes Vaz Craveiro)
 




       
 
 
   

     

DAVID RIBEIRO TELLES – X - (conclusão)

7 de Setembro de 2006, Campo Pequeno esgotado, a expectativa dos grandes eventos.
David Ribeiro Telles iria dar a alternativa ao neto Manuel, seu discípulo, de quem Bacatum me dizia “ser igualzinho ao António”.
Nas bancadas viam-se antigos e actuais cavaleiros, toureiros, ganadeiros, críticos e os últimos abencerragens da nata dos aficionados à maneira lusitana de lidar a cavalo.
A presença dos Telles nas arenas, sem embargo das alterações ocorridas quanto ao número e composição do clã, mobiliza genericamente os amantes de uma tal modalidade de toureio e, especificamente, aqueles que se mantêm firmes na opção pelo clausulado tradicional, pelas normas de sempre do nosso toureio a cavalo.
Além do mais, não se sabia se David, magnífico calção, comparecia ou não a cavalo para doutorar o jovem afilhado.
Pouco tempo antes, o patriarca saíra a terreiro na defesa das regras do toureio equestre. Falara no respeito pelo público, no respeito pelo toiro, dando-lhe a prioridade de investida, não indo para ele de qualquer maneira, respeitando os terrenos da praça e dando-lhe tudo aquilo que ele merece, denunciando, do alto da sua autoridade, experiência e conhecimentos, que é mister conhecer os terrenos e saber lidar o toiro sem acabar com ele, afirmando previligiar o recorte no confronto com a dobra e não o entusiasmar dar voltas e mais voltas para acabar com o toiro. Ora,
iniciada a função, eis que o distinto artista irrompe à frente dos seus familiares e logo ali colhe a primeira grande ovação da noite, afinal o reconhecimento popular pela sua rica trajectória e obra feita, ali projectada na presença dos demais membros da dinastia.
Depois, seguiram-se as cortesias em que falou bem alto a coesão e unidade exemplar de tão singular Família, com lenços brancos a acenarem das bancadas a pedir simbolicamente os máximos troféus para os obreiros daquilo que iria constituir uma noite taurinamente inesquecível.
Como, na vida, nem sempre a desigualdade e injustiça dos critérios prevalecem sobre a amizade, a estima e a consideração, foi-nos dado testemunhar de muito perto as diversas incidências da corrida.
Toureou-se a cavalo como raramente se vê, com Manuel e António em excelente nível, aquele, breve superando o compreensível nervosismo inicial a partir do terceiro comprido, já de nota alta, este, primeiríssima figura do naipe respectivo, desde logo inspirado pela presença em praça do seu progenitor, a todos brindando com autentico recital de como se lida um toiro bravo, João-pai, superando diversos handicaps, credor também de elevada pontuação e João-filho, prometendo muito, o que o Futuro se encarregou de confirmar.
Saímos do renovado tauródromo sem vontade de cedo acorrer a outra praça, tal a diferença abissal entre o que se viu e o que, habitualmente, nos é proporcionado.
De novo por deferência que se não esquece, outra mão amiga ofereceu-nos um duplicado da gravação do memorável acontecimento, pelo que a corrida já foi vista vezes sem conta, escalpelizada até à exaustão, nos limites, sempre presentes, da emoção que proporciona.
No epicentro do processado ergue-se a figura do velho Mestre, o exemplo de toda uma vida, a continuidade assegurada já por mais duas gerações.
E é por isso, pelo alto apreço em que temos David Ribeiro Telles, que não dominamos a impertinência com que, olhando repetidamente para o calendário, nunca mais vemos chegar o próximo dia 4 de Setembro.

     

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