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_______________________Toiros XXI
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(Artigos de opinião de Manuel José Gomes Vaz Craveiro)
 




       
 
 
   

     

Na CHAMUSCA,
                        brilhou José Luís Gonçalves

Na tarde de quinta-feira da Ascensão os aficionados tiveram ao seu dispor naquela praça ribatejana o tradicional espectáculo misto, este ano com a presença dos cavaleiros António Teles e seu sobrinho João, os matadores José Luís Gonçalves e Nuno Velásquez, este, em substituição do anunciado colega espanhol, os forcados do Aposento da Chamusca, de Tiago Prestes e toiros de S. Torcato.
Foi escassa a afluência de público e Francisco Farinha dirigiu a corrida sem contestação.
A abrir praça, ante um adversário pouco colaborante – logo, por definição, a carecer que lhe pisassem os terrenos – os cavaleiros estiveram bem na ferragem curta, trabalhando por vezes em conjunto para interessar o oponente e cravando no ressalto, como é timbre do toureio a duo e assim revelando apurado e profícuo trabalho de casa.
Na lide a sós, com um toiro reservon, algo distraído e que andava a passo, António luziu-se com as bandarilhas, cravando excelentes ferros ao estribo.
Por sua vez, o jovem João foi de mais a menos, recebendo o hastado à gaiola, com a quadrilha recolhida, como seu tio fizera, quanto aos peões, no toiro anterior, para se distinguir na ferragem comprida, em bonitos desenhos de sortes à tira, com remate no terceiro. Todavia, nos curtos, “o mar não estava para peixe”, pois falhou várias tentativas, com o toiro – um animal preto listão, algo playero, distraído mas com mobilidade – a adiantar-se e até se mostrou, inopinadamente, heterodoxo nos primeiros tempos dos lances.
Os forcados locais concretizaram, respectivamente, à primeira, à segunda e, de novo, à primeira tentativas.
Na lide a pé, José Luís Gonçalves foi o triunfador da corrida e até da feira.
De facto, no seu primeiro, com o capote, lanceou à verónica, ganhando terreno e, com a muleta, viram-se trincheirazos, de joelho em terra, para, depois, levar o adversário para os terrenos de maior peso, leia-se, os médios, onde toureou por derechazos, adiantando a muleta e quebrando a cintura, ao seu melhor estilo, naturais, passes de peito e de frente por detrás, com mudanças de mão, molinetes, manoletinas e desplantes de joelhos.
Mas foi no sexto toiro da corrida que o diestro armou um taco, destapando o frasco das essências.
Com efeito, depois de saudar o cornùpeto à verónica e por chiquelinas, rematadas com uma revolera, José Luís ligou faena face à nobreza do adversário, iniciando o trasteio por trincheirazos de joelho em terra, rematados a uma só mão. Seguiram-se tandas de derechazos e naturais ligados, passes de peito, com mudança de mão, passes de frente por detrás e em redondo, algumas vezes sem se emendar.
Concluiu com um molinete e passes de joelhos, rematando a uma só mão e simulou a receber.
Velásquez foi prejudicado pelo lote que lhe coube, do que se ressentiu.
O primeiro, que se soltou logo no capotazo inicial, tinha investidas curtas e escabeceava. O toureiro recebeu-o por verónicas e esteve valente com a muleta, sacando-lhe os passes habituais, mas sem lograr a necessária ligação.
O que fechou praça não tinha recorrido, pelo que ambos os tércios foram inexpressivos, muito embora o tivesse castigado com um toureio por baixo, levando-o para os médios, mas em vão. Por isso, abreviou e bem.
Quanto à peonagem, Ernesto Manuel recolheu o quarto da ordem e João Pedro distinguiu-se com as bandarilhas.
E, como no fado, impunha-se que “ficasse naquela praça castiça, destacado entre a caliça, um cartaz para recordar” aquela faena de José Luís Gonçalves...

     

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