Na Barquinha,
viagem justificada.
Correspondeu o público ao cartel montado para a nocturna da Barquinha, na data tradicional dos festejos de Santo António, a qual teve lugar a 9 de Junho e foi à portuguesa, com os cavaleiros de alternativa Joaquim Bastinhas, Rui Salvador e José Manuel Duarte, os forcados de Tomar e de Portalegre, de Carlos Alberto e Fernando Coelho, respectivamente e toiros de José Luís Andrade, com direcção acertada de Pedro Maria Gomes.
Joaquim Bastinhas teve por antagonista inicial um toiro que “tinha gatos na barriga”, galopou sempre e algumas vezes acudiu na reunião, pelo que o cavaleiro teve de se empregar para cravar a ferragem da ordem, dois compridos e cinco curtos, sendo o derradeiro, de palmo, muito aplaudido.
No seu segundo, um adversário distraído que esperava pela viagem e se adiantava, os compridos ficaram em seu sítio e o terceiro curto mereceu nota superior, pois o toiro acudiu, valorizando a sorte, pelo que logo ouviu música, com direito ao prémio habitual em ambas as intervenções.
Rui Salvador teve por oponente um animal que cumpriu, acudindo aos cites e arrancando-se de qualquer terreno e que chegou à pega sem ainda ter aberto a boca.
O cavaleiro luziu-se logo nos compridos, rematando o primeiro e, nos curtos, aguentou as investidas nas reuniões, o que muito valorizou o seu labor.
O burraco lidado em segundo lugar também se arrancou algumas vezes, a saber, nos dois compridos iniciais e no último curto. Os ferros foram apontados depois do ginete levar a cabo uma brega superior para deixar o toiro em sorte, com os aplausos e prémios correspondentes.
A José Manuel Duarte coube de entrada um toiro que acudia com o conjunto pela frente mas se ficava após a reunião, com meias arrancadas na preparação, após a transição para os curtos. O de Santarém não se poupou a esforços para levar a cabo uma aplaudida actuação, pois pisou vários terrenos e cravou em sortes diversas e concluiu com um ferro em terreno sesgado, uma vez que o cornúpeto se defendia em tábuas.
O que fechou praça era um manso que se arrancava quando intuía a eventualidade de colhida e que se adiantou logo no ferro inaugural, obrigando o ginete escalabitano a emendar-se na viagem para evitar o pior, bregando, depois, acertadamente e apontando em conformidade, para terminar com dois sesgos, porquanto o final da lide acentuou a tendência do toiro para terrenos de tábuas que já se desenhava desde a primeira parte da função.
Também o regressado cavaleiro teve direito a música durante as actuações e deu volta no final.
Por Tomar foram solistas – e por esta ordem – João Serra, à primeira e após o brinde a António Graça, velha glória do grupo, Pedro Miguel, bonito no cite inicial e que fez uma grande pega à barbela, à segunda tentativa, em que viajou sozinho em parte do percurso e assim aguentou os derrotes do oponente e Ricardo Paiva, também à barbela.
Por Portalegre foram caras Artur Domingues, bem, à primeira, ultrapassando a desagregação do grupo, João Tavares, também à primeira e à córnea e Pedro Nunes, à segunda.
Valeu assim a pena a deslocação à Barquinha, apenas ensombrada pela confirmação da notícia da inutilização por acidente de trabalho do forcado José Miguel que, curiosamente, integrava agora o grupo de Portalegre, após ter militado nas fileiras do grupo nabantino. Na hora da despedida, aqui fica um olé para o generoso, decidido e polivalente pegador, tendo sempre presente a corrida de Abiul com os Lopos de Carvalho.