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_______________________Toiros XXI
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(Artigos de opinião de Manuel José Gomes Vaz Craveiro)
 




       
 
 
   

     

A FEIRA da GOLEGÃ

A caminho de Santarém, onde fomos assistir ao lançamento do livro Homens que pegam Toiros – Em defesa de Valores, da Dr.ª Teresa Soares, passámos pela Golegã, cuja feira anual abrira portas nesse dia.
Falar do carismático evento é recordar o Dr. Ruy d’Andrade, que, na revista Diana, também ela desaparecida precocemente por mor da maldade dos homens, deixou constância, durante anos, do interesse e carinho que lhe merecia o centenário certame.
E a homenagem que, por ora, se impõe, à saída de mais uma edição, consiste precisamente em “dar-lhe a palavra”, transcrevendo excertos de um dos artigos que firmou sobre a matéria com a sua pena autorizada e competente:
“Este meio especial é tão favorável e a época da feira de S. Martinho no Outono, em 11 de Novembro, quando, acabado o Verão, se pressente o Inverno e quando o retorno do Sol, depois das primeiras chuvas, interrompe por um par de semanas, com o chamado Verão de S. Martinho, o frio iniciado, deu sempre um ambiente especial à feira da Golegã.
E assim naquela terra, onde os cavalos e os toiros sempre foram tão apreciados, se criou um meio especial aos amadores de uns e outros (…).
A feira da Golegã, no tempo das castanhas assadas e da água pé, tem carácter e vida especial, porque o ambiente que naqueles dias se revela tão influenciado com a vida toureira e equestre, a distingue de quase todas as outras de Portugal, salvo as belas festas de Vila Franca, mais toureiras estas, mais cavaleira aquela.
É que o nosso fundo folclórico peninsular não pode passar sem o toiro e o cavalo, mas o cavalo de lide toureira (…) motivo por que a feira da Golegã se enche todos os anos, não de gente para comprar cavalos, que não utiliza, mas porque, tanto a do campo como a das cidades, todos sentem que as gerações passadas não podiam viver sem o cavalo e rara será a família nobre ou plebeia de Portugal em que se não fale de um célebre cavalo do Pai ou do Avô, que não guarde um xairel bordado, uma velha sela, um estribo ou um freio que pertenceram às gerações passadas.
E assim a feira da Golegã é um atractivo que reúne gente (…), que chama curiosos interessados por aquele bulício, aquele movimento de carácter português, aquele feitio que nos distingue do resto do mundo e que, sem se saber porquê, se não quer deixar perder”.
Este ano, na Nazaré, o Eng. José Luís Andrade, neto do homenageado, disse estar na forja a publicação de trabalhos conexionados com toiros e cavalos. Assim, permitimos-lhe recordar a oportunidade da republicação deste e de outros artigos dispersos, o que sempre iria permitir aos amantes das respectivas modalidades aceder à sua prosa interessante e ao aliciante de um tema tratado de forma superior.

     

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