O EPÍLOGO
Com a deslocação à cidade do Nabão no pretérito dia 19, encerrámos a temporada taurina de 2008.
Há um carisma especial e atractivo naquela terra e naquelas gentes.
E tanto assim que, fora de época e em tempo de crise, a praça ainda registou razoável afluência de público.
De louvar, desde logo, a montagem do cartel, com três dos intervenientes exorbitando do naipe habitual e assim oferecendo o aliciante sempre de associar à novidade, quanto mais não seja para os espectadores que são aficionados.
Rui Salvador, que, há anos, leva a praça tomarense, merece o aplauso de não ter circunscrito a época ao solitário espectáculo montado no Verão, quando a sua agenda sobrecarregada de cavaleiro profissional obstou à montagem da segunda e tradicional corrida estival na data própria para o efeito.
Determinado e empreendedor como é, compensou agora a aficion local com esta corrida, assumindo os riscos correspondentes.
Porém, não se ficou por aqui o ginete do Alto do Pina.
Liderando, por imperativos de antiguidade, o feixe dos artistas intervenientes, Rui esteve na tarde outonal em plano de toureiro, estádio esse que é o seu, pleonasmo justificado, alardeando a garra, a entrega e o valor habituais, com o cavalo ROMERO a evidenciar grandes progressos nas mãos do experiente e traquejado artista.
Gilberto Filipe brindou a assistência com um ferro curto, o derradeiro, que vai estar presente nas cogitações próprias da clausura do defeso, pela verdade posta na execução da sorte, longe do alívio e de outras martingalas com que os toureiros, tantas vezes, cumprem a função.
Apreciámos bastante a prestação de Paulo Jorge Santos, bem montado e senhor de si, muito acima do que vimos na Primavera na sua terra natal e a justificar nova oportunidade, para complemento de observação.
A Filipe Gonçalves creditámos uma sorte em que permitiu ao toiro arrancar-se pela frente, com imediata subida da fasquia, sendo ininteligível a inexistência de tentativa de repetição da sorte, nos precisos terrenos em que tivera lugar.
Isto se diz ao jovem artista a pensar em Zorrilla, citado por J. Sanchez de Neira a abrir praça na sua fabulosa obra, EL TOREO, GRANDE DICIONÁRIO TAUROMÁQUICO, onde se lê em tradução livre:
“Não me aflige quem me critica; faz-me um favor quem me corrige”.
Fora do cartaz, Carlos Amorim merece a inclusão neste apontamento, aficionado antigo e apoderado exemplar.
Eficiente, discreto, sabedor, diplomata, é uma das singulares personalidades do mundillo que, vai para três anos, sentiu à sua volta o carinho e o apreço dos homens dos toiros.
Neste cair do pano de mais um ano tauromáquico, dou público testemunho do elevado conceito em que tenho o seu fecundo percurso pelos sinuosos dédalos da nossa Tauromaquia.