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_______________________Toiros XXI
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(Artigos de opinião de Manuel José Gomes Vaz Craveiro)
 




       
 
 
   

     

JOAQUIM JOSÉ PENETRA

Através da leitura do passado número do nosso Jornal acedi à dolorosa revelação de que Joaquim José Penetra deixou a chefia do grupo de forcados Amadores do Ribatejo.
Com mais propriedade deveria falar de confirmação, uma vez que, na primeira parte deste ano, testemunhei ocasionalmente conversa telefónica com um Amigo comum em que um tal propósito era anunciado.
Ademais, a política seguida, no que tange ao referido agrupamento, por parte da tutela, não podia ter outra saída, com a rigidez de critérios e o despotismo de decisões a imporem a sua iníqua lei, percursor que aquele foi do prestigiado grupo de amadores de Santarém, o mesmo é dizer, credor do respeito devido à sua longevidade e a todo um passado rico de presença nas arenas e de afirmação dos valores da forcadagem, bem como ao seu Cabo, forcado valoroso e com obra feita, nas funções de chefia, ele próprio, oriundo de uma família de pegadores, tendo passado pelo grupo dos Amadores de Lisboa, onde aprofundou e consolidou a sua formação com esse gigante, também de conhecimentos, que se chamou Nuno Salvação Barreto, depois, pelo grupo do Aposento da sua terra e, por fim, pelos Amadores do Ribatejo, ao serviço do qual, em circunstâncias que se desvaneceram, estabelecemos contacto e, por seu intermédio, com todo o grupo, a quem chegámos a seguir e com ele privar, antes, durante e depois dos espectáculos.
Assim testemunhei ter Penetra congraçado à sua volta outros elementos, em interessante, habitual e recomendável aliança da experiência e da juventude, que, ao tempo, catapultaram o grupo para um interessante lugar no respectivo escalafon.
No plano pessoal, estávamos perante uma personalidade simpática, respeitadora e respeitada, mas de que não estava ausente a firmeza de carácter que, pasme-se, no estado a que chegou o Mundo, deixou, em determinadas circunstâncias e com certas pessoas e instituições, de se afirmar pela positiva.
No fundo, tudo se passava como se Penetra, na liderança do agrupamento, estivesse como sempre esteve nas praças com o toiro, ou seja, bem de frente.
Era, pois, tarefa hercúlea, dele sacar aquilo a que BRITO CAMACHO apodou de “transigências que rebaixam”, leia-se, aplaudir os dois pesos e duas medidas que bem sabia serem propriedade dos seus adversários no diferendo.
Destarte, o desenlace agora acontecido, mais do que previsível, era inevitável.
A temporada passou sem que tivéssemos visto ou falado, por qualquer forma, com aquele Amigo.
Daqui lhe afirmamos não estar sozinho no repúdio da iniquidade, da rejeição da incoerência, para que este afastamento coercivo, como todas as servidões, não transite em julgado sem um reparo e um protesto, que aqui se deixam exarados, ainda e sempre por teimosa independência de espírito.
Está, pois, Penetra em paz com a sua consciência, pela certeza do dever cumprido. Isto porque, conforme consta do notável livro JUÍZO FINAL, “agir com fé em função dos princípios que possui, das convicções que sente, dos valores em que acredita – eis o dever de todo o Homem”.


     

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