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_______________________Toiros XXI
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(Artigos de opinião de Manuel José Gomes Vaz Craveiro)
 




       
 
 
   

     

O ESVASIAMENTO DAS FÓRMULAS

Em publicação já hoje, lamentavelmente, desaparecida, podia ler-se em texto vetusto:
“De todas as formas de actividade artística, entre as quais se conta a tauromaquia, julgo ser nela que mais campeia a “ideia feita”.
Cada, de grande maioria e, por vezes, com responsabilidades, aceita-a passivamente, escraviza-se-lhe, repetindo-a por toda uma vida, ou então constrói-a, tanto na generalização de conceitos, como na sua limitação, isolando casos, afinal, idênticos.
Bastaria um pouco de raciocínio para evitar essa praga que não poucos malefícios traz ao espectáculo de touros.
Difícil?! São muitos os que se manifestam mas poucos os que pensam? Mais uma razão! Pensemos, quanto possível, por eles e levemo-los a, sem esforço, meditarem.
Procuram simplesmente o divertimento e pensar, fatiga? Mas repouso não é inacção, é contraste com o quotidiano, o normal.
A”ideia feita” continua, porém, a entrar, impune e solenemente, com ares eruditos, nas praças, de braço dado com o lugar comum – seu irmão gémeo – , com a preguiça mental e com a ignorância. Ao grupo juntam-se às vezes o snobismo, o facciosismo, o culto do inferior, alguma impudícia e certa venalidade”.
Valem as presentes considerações para o futuro próximo da praça do Campo Pequeno, dando de barato terem consistência as notícias veiculadas quanto a mudanças a efectuar na gestão da componente taurina do remodelado edifício.
De facto, não começando as casas a ser construídas pelo telhado, desconhecendo-se ainda se há alterações de nomes e, a ser assim, quem entra e para que lugar, o que é fundamental para partir do perfil de cada um ao encontro do esplendor que se deseja, permanentemente, para a sala de visitas da aficion lisboeta, bem acima do transitório que acompanhou a novidade da reabertura, há um aspecto que importa frisar desde já.
É ele o de que a presente temporada assentou nos chamariz das corridas familiares, dos confrontos entre gerações em jornadas de doutoramento dos mais novos e, como tais, insusceptíveis de repetição por natural e inevitável esvaziamento da fórmula.
Está-se a partir do pressuposto da aprovação do doutorando, tendo feito agora cinquenta anos que José Mestre Baptista se submeteu de novo, na Moita, à cerimónia repetida, uma vez que, meses antes, não sensibilizara o júri olissiponense.
Trata-se, também aqui, duma ideia feita que, como tal, não resiste a uns instantes de reflexão. Com efeito, uma coisa é a alternativa, obtida definitivamente.
Diferentemente,
nada obsta, antes, pelo contrário, à montagem de corridas entre membros de um mesmo clã, pais e filhos, tios e sobrinhos, primos entre si, mesmo que, para tanto, artistas praticamente retirados tenham que ter algum contacto com os armários das casacas e as caixas dos tricórnios que já foram, em termos de conveniente utilização.

A não ser assim, quem provou e saboreou pela vez primeira apetecível manjar, nunca mais voltaria ao local do ágape por tal menu, porquanto a atraente fórmula publicitada ter-se-ia esgotado ao primeiro encontro, o que não faz sentido algum nem tem qualquer apoio na realidade.
     

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