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_______________________Toiros XXI
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(Artigos de opinião de Manuel José Gomes Vaz Craveiro)
 




       
 
 
   

     

BANDARILHAR A DUAS MÃOS

            Sendo pleonasmos os termos supérfluos às vezes empregues para dar mais força à expressão, compreendia-se o reparo feito há anos por um crítico tauromáquico a outro, por este último ter lançado mão num seu escrito da expressão “par de bandarilhas a duas mãos”.
            Passaram os anos e o hoje taurino é diferente do ontem, quiçá do amanhã.
            O toureio equestre vem conhecendo em Espanha notável incremento e a sua influência, naturalmente, chega também às nossas paragens, via intercâmbio nas arenas entre os artistas dos dois países, ou das corridas de rejoneio vistas directamente ou na televisão, pelo que longe vai o tempo em que tourear a cavalo por lá consubstanciava apenas o número del caballito, com os sucessores de Cañero a limitarem-se a sair à frente da terna, ela, sim, verdadeira razão de ser da montagem dos cartéis e da correspectiva afluência dos aficionados e demais espectadores.
            Ora, o aludido desenvolvimento passou também, tal como na parte apeada, pelo aparecimento de sortes ignotas dos mais antigos frequentadores das praças. De facto, pelos nossos sítios e até onde chega a memória dos mais velhos, ninguém vira, na parte final das lides, as duas pequenas bandarilhas agora empunhadas pelos ginetes para fins de cravagem sucessiva.
            Deste modo, o diálogo acima referido entre dois membros da família taurina, visando situar esta prosa especializada nos terrenos da ática beleza, não tem já qualquer razão de ser porquanto é, agora, diferente a realidade existente em tal domínio.
            Voltando aos pares de bandarilhas tradicionais, recorde-se, antes, Simão da Veiga Júnior, Murteira Correia, Alberto Luís Lopes e Pedro Louceiro, há mais de 20 anos, Joaquim Bastinhas e Luís Rouxinol, com os bombeiros em prevenção permanente pelo aumento da temperatura levado às bancadas com esses remates de lide.
            No entanto, uma pergunta se impõe:
No escalão das sortes do toureio equestre, onde situar os pares de bandarilhas a duas mãos?
A resposta chega-nos através de Leopoldo Nunes, justa e curiosamente recordado na semana anterior:
“A sorte de bandarilhar a duas mãos não é uma sorte clássica no toureio equestre porque, ao executá-la, o cavaleiro é forçado a perder a composição nobre da figura e porque a mão esquerdaa mão da rédea – não exerce a verdadeira função; mas constitui remate muito agradável da lide, sendo ainda um recurso importante quando o touro não se presta para o toureio de frente, mandando no cavalo com as pernas, depois de amarrar as rédeas no pescoço do equídeo e não por movimentos do tronco, gancho e cordelinho, segurando as rédeas com um fio de aço ou de nylon preso à cintura do cavaleiro que, balanceando o tronco para um ou outro lado, vai dirigindo a montada.
E a verdade no lance só é possível quando se dispõe de cavalo apto e ensinado para o efeito”.
O tema não fica esgotado, mas o ilustre montemorense, pedagogo da Festa, bem merecia mais esta e outras evocações.

     

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