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_______________________Toiros XXI
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(Artigos de opinião de Manuel José Gomes Vaz Craveiro)
 




       
 
 
   

     

O REGRESSO A ÁFRICA

O anúncio da próxima realização de corridas de toiros no reino da Suazilândia trouxe ao primeiro plano das nossas cogitações um artigo sobre a implantação da Festa naquele continente, decorria o mês de Fevereiro de 1960.
Passou o tempo a correr, mas o desajustamento decorrente de tão grande período não o inutilizou na íntegra.
Sendo assim, vejamos então o que se aproveita das valiosas e lúcidas considerações então vertidas numa grande, em todos os sentidos, página de toiros.
“O espectáculo tem outras condições para triunfar em África.
A galhardia, a coragem, o valor, o colorido, a expressão plástica das suas reminiscências românticas, o saber e a tradição, chamam sobre ele o interesse e, por vezes, a paixão de muitos estrangeiros.
Os artistas teriam ocupação durante o Inverno, partindo a exercer a sua actividade onde então é estio.
Os ganadeiros poderiam aumentar as manadas de gado bravo (…).
Procuremos, pois, transpor para África a corrida de toiros com todo o seu carácter nacional, como no Campo Pequeno, Vila Franca, Santarém, Évora.
Cuidado, no entanto.
Partir do princípio que o desconhecimento que o público africano, logicamente, tenha do toureio, pode justificar a apresentação, com o rótulo de tourada ou de corrida de touros, de grotescas funções, fora de uso, preenchidas só com bandarilheiros, de corridas com cavaleiros e novilheiros de monton, ou com principiantes e com curros de reduzido custo, de corridas, enfim, que visam apenas o lucro imediato, é condenar, de antemão, ao mais rotundo fracasso o futuro do empreendimento.
Para começar, para criar gosto pelo espectáculo, nem mesmo as novilhadas serão aconselháveis. Tal género é para um público já evoluído.
Não desconheço que uma organização formal tem pesados encargos. Justo é que os interessados – os artistas e os ganadeiros - limitem os seus honorários e proventos. E que todos – aqueles e os empresários – trabalhem, com compreensão, para o mesmo fim e tenham sempre presente que é necessário semear para colher”.
As corridas projectadas terão o selo de idoneidade das organizações Manuel Gonçalves, o último empresário que, fora do clima emocional suscitado há dois anos pelo anúncio da venda, desactivação e desmantelamento do tauródromo e da política de baixa de preços inevitavelmente adoptada em face do empobrecimento progressivo da população nacional, daquela franja que dá largas à sua aficion povoando os lugares de Sol e as galerias, em face da inacessibilidade financeira aos demais sectores, encheu quanto baste as bancadas da grandiosa monumental scalabitana, filha do entusiasmo e empenho de Celestino Graça e, por isso, levando o seu nome, já que, naturalmente, os filhos são portadores dos apelidos dos seus progenitores.
Ademais, o veterano empresário tem a acessorá-lo a experiência, o saber e a dedicação de Mário Freire, taurino de referência.
É, pois, caso para proclamar-se e – esperar! – que a organização das ditas touradas seja modelar, quer dizer, “exemplo que consta e irradia”.

     

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