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_______________________Toiros XXI
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(Artigos de opinião de Manuel José Gomes Vaz Craveiro)
 




       
 
 
   

     

“NOTAS DUM RIBATEJANO”

A coluna ao lado, da semana passada, trouxe-nos a efeméride do nascimento do azambujense Motta Cabral, “escritor e jornalista de notável importância, que dedicou muitas das suas obras a assuntos taurinos”.
Assim foi, de facto, o que justifica a sua eleição para as presentes considerações.
Brindou-nos o ilustre ribatejano, além do mais, com os seguintes trabalhos, citados por uma perspectiva cronológica:
“Toiradas na região ribatejana”, “Ao sol”, com um croquis de Simão da Veiga e “À vara larga”, todos eles reportados aos anos 20 do último século.
Trata-se, na circunstância, de três livros interessantíssimos, em cuja leitura os aficionados podem e devem mergulhar, pois são muitos os temas versados, sendo indiscutível a competência com que se processa a respectiva abordagem.
O primeiro, um opúsculo pequeno, curiosamente inserido no livro seguinte, é a tese apresentada no 1º Congresso Ribatejano realizado em Santarém em 1922, em que se faz a apologia da “região abençoada onde, pelo Tejo, o Portugal marítimo abraça o Portugal agrícola, fundindo numa as duas fisionomias típicas da Nação”, na feliz definição de Oliveira Martins  in História de Portugal, bem como dos espectáculos com toiros de morte, justifica plenamente intervenções autónomas durante a hibernação que atravessamos.
“Ao Sol”, com o subtítulo que encima estas considerações, é já um livro, na dimensão das suas cerca de 150 páginas, onde são tratados, com saber, temas como a origem das touradas, touros de morte, supressão das pegas, consequências da embolação, quinta da Torre Bela, Gallito, por que não há touradas na Inglaterra, derriba, ironia contra a Protectora, tenta, assuntos técnicos e frases bonitas, que dele fazem ferramenta de estudo e consulta indispensável para os cultores do tema taurino e presença obrigatória nas estantes das correspondentes bibliotecas.
Por fim, “À vara larga”, livro mais volumoso, onde o autor aborda descontraidamente assuntos como “a morte do Conde dos Arcos”, “Os toiros da Casa Cadaval”, A Quinta da Cardiga”, “O traje dos cavaleiros”, “Toiros de morte”, “António Canero”, “Definição de tourear” e frase bonita.
Está, assim, mais do que justificada a evocação deste intelectual, que bem poderia ter sido incluído também na compilação apresentada no número anterior e de que, por lapso só agora detectado e de que nos penitenciamos, omitimos o nome e o autor, ou seja, “O mundo do toureio na literatura de língua portuguesa”, de Urbano Tavares Rodrigues, que nos tem feito esplêndida companhia desde 1966, ano a partir do qual se iniciou uma coabitação sem prazo certo.

     

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