A FEIRA DE VILA FRANCA
Está à porta a feira de Vila Franca, o último dos festejos taurinos do nosso calendário que se prolonga por vários dias.
Àquela cidade liga-nos a imarcescível recordação da gestão da sua praça por parte de José Guerra; o rico historial do seu grupo de forcados, que mais de perto acompanhamos desde os tempos de José Carlos de Matos, ali pelos anos 70; as corridas com toiros de morte em que, ao menos, por excepção, se proporcionou àqueles morrer, coerentemente, no anfiteatro da luta para que foram criados.
Pois o actual empresário, Ricardo Levesinho, distinguiu os aficionados com cartéis variados e interessantes, que contemplam as diversas sensibilidades existentes no mundillo.
A corrida tendencialmente à espanhola, uma vez que a legislação obstaculiza o teste à bravura pelas varas e o remate natural pelo emprego do estoque verdadeiro, privilegia a circunstância da cidade ribeirinha ser terra de toureiros, por nascimento ou adopção, sendo muitos e bons os apreciadores do toureio a pé.
No domingo, aquele tem de novo o seu espaço em espectáculo misto, com a parte à portuguesa preenchida pela juventude, em simultânea satisfação das opções dos amantes das duas modalidades.
A tradicional nocturna de terça-feira, à portuguesa, assume-se como corrida de postim, com triunfadores da temporada, homenagem ao vilafranquense António Telles pelas bodas de prata, Luís Rouxinol a justificar a inclusão por mais um ano de elevada regularidade e Vítor Ribeiro a assinar, em várias ocasiões, actuações de verdade, por insistir com os adversários na prioridade do arranque, verdadeira regra de oiro no naipe respectivo.
Aí os toiros, afinal, a base do confronto, no caso, peninsular, revelam, na escolha feita, escrúpulo de aplaudir e esforço financeiro de compensar.
Para os enfrentar também, o valoroso grupo local, em momento alto de afirmação da sua identidade, depois de, na corrida anterior, repartir cartel com os vizinhos amadores alcochetanos.
Acresce que se segue, não o dilúvio mas o defeso e este ciclo, no seu conjunto, representa a derradeira oportunidade de se dar largas à aficion de cada um. Por isso,
no próximo fim de semana… alargado, os caminhos apontam para a Palha Blanco, sem esquecer, no entanto, a tradicional corrida de domingo em Alcácer, que conta também com a aludida terna vitoriosa.
É que está na hora para desmistificar a ideia de acordo com a qual só a homenagem de recordação de quem morreu nos cornos de um toiro ou quando se sussurra nos bastidores que um ou mais intervenientes rematarão as lides sem o recurso à farpa simuladora, é possível encher de novo as bancadas do centenário recinto.