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_______________________Toiros XXI
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(Artigos de opinião de Manuel José Gomes Vaz Craveiro)
 




       
 
 
   

     

Joaquim José Correia
                            “A morte como prenda de anos”

No passado dia 16 de Outubro cumpriram-se 40 anos sobre a data em que, na praça do Campo Pequeno, o toiro Carvoeiro, ferro Rio Frio, de 600 Kg. de peso, colheu e derrubou o conjunto formado pelo Quim Zé e Tirol, acometendo, depois, sobre o ginete, a quem o corcel destapara quando se levantou e fugiu, corneando-o de forma certeira e mortal.
A época ia já adiantadíssima, pendente apenas, quanto a corridas formais, do encerramento da temporada no Cartaxo, onde outra vítima da Festa, José Núncio, que recentemente nos deixou, lidou quatro toiros por mor das sequelas físicas da violenta colhida sofrida por José Lupi devida à pata excessiva evidenciada pelo que rompeu praça.
O cavaleiro alentejano cumpria nesse dia 21 anos e anunciara, antes da corrida, o propósito de triunfar. Não só pela efeméride – mas também por ela – seus familiares mais próximos acompanhavam o desempenho, bem como, naturalmente, as demais vicissitudes do evento.
Tratava-se de um festival com escopo filantrópico, a que o seu coração grande e assim precocemente parado decidira emprestar valiosa colaboração, no final da sua segunda temporada de alternativado, recebida das mãos de D. José de Athayde, ali mesmo, na Páscoa do ano anterior.
O desditoso artista, com a generosidade própria da sua juventude, partidário do toureio frontal, não só em teoria, mas também na prática, farpeou primeiro o adversário, que logo cresceu; castigou-o de novo, com o toiro a adiantar-se; não obstante, o medo e a prudência não integravam o dicionário de que dispunha como ferramenta de trabalho; o povo, na sua sabedoria ancestral, costuma dizer que “às três é de vez”.
No caso concreto, novo desafio, viagem inerente, reunião fatal, por sinal, ao estribo …
O toureio é um baile frenético com a Morte, uma dança terrível com aquilo que os humanos mais receiam – a possibilidade de perder a vida – um duelo em que, de vez em quando, os toiros passam e cobram a factura terrível e assim aconteceu uma vez mais naquela tarde já distante.
Joaquim José Correia, o seu colega Fernando de Oliveira e o forcado João Raiva, que ali tombaram também, respectivamente, 62 e 13 anos antes, são os destinatários deste apontamento de comovida homenagem e sentida evocação, eles que entraram prematuramente na posteridade como portadores da coragem e do valor que viabiliza o enfrentamento do toiro de lide e a quem a desfortuna bateu à porta em tardes trágicas que, como tais, os anais da especialidade registaram.

     

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