As dobras,
na Tauromaquia e na Numismática
O termo espanhol doblazo significa passe de muleta em que se dobra o toiro, quási sempre com a intenção de o castigar (cfr. Jayme Duarte de Almeida, in Enciclopédia Tauromáquica, pg.151).
Martin Maqueda, in “sabe ver uma corrida de toiros?”, pg.91 e s.s., ensina:
“De todos os castigos empregados para dominar a fera, nenhum é mais eficaz do que obrigá-la a dobrar muito o pescoço, pois é a parte mais sensível, especialmente desde o cachaço ao testuz. Perante um toiro de poder, um toureiro consciente da sua arte evidenciará o seu saber obrigando-o a dobrar o pescoço o maior número de vezes possível, “a meter-se nele”. Em Espanha, depois de uma faena, o matador entra a matar, deixando ficar o estoque no corpo do animal, mas sem lhe produzir a morte. Então os seus peões, com o capote, obrigam o toiro a girar sobre si mesmo, quási sempre para o mesmo lado, a fim de que o animal se dobre sobre a cabeça, obrigando a lâmina do estoque a cortar os órgãos interiores e, porque o movimento do pescoço representa um castigo, o animal morre mais rapidamente”.
José Tello Barradas, autor de “Meio século de toureiro e glória”, sentencia a pg.68: “Várias vezes vi o publico de pé, vitoriando, com olés, os doblanazos com que destroncava os toiros”.
Sommer de Andrade doutrina assim no seu livro “O toureiro equestre em Portugal”: “aos toiros muito duros, deve recortá-los, dobrá-los, para lhes tirar “pata”.
David Ribeiro Telles saiu recentemente a terreiro, opinando doutamente que o toiro deve ser lidado sem acabar com ele, gostando mais do recorte do que da dobra e que não se sente entusiasmado ao ver dar voltas e mais voltas para acabar com o toiro.
Mormente com produtos de ganadarias onde a raça, de há muito, partiu para férias, aditamos agora, o castigo inicial e, sobretudo, o seu excesso, tem drásticas consequências, a nível das investidas, que até já não abundariam por força da dita falta, com aqueles a desinteressarem-se ainda mais do combate que os toureiros lhes propõem.
Não se nega a espectacularidade desses lances liminares – a cujo recurso sistemático sempre se deverá opor ainda que as faenas não podem nem devem ser objecto de prévia montagem doméstica – mas, também na Tauromaquia, “nem tudo o que luz, é oiro”.
Para aceder então aos aliciantes domínios desse metal precioso, preferimos as outras dobras, aquelas que Caldas Aulete, no seu dicionário da nossa língua, define como “antiga moeda portuguesa, cujo valor e cunho variou nos diferentes reinados”.
Disse.