ABIUL, “de novo em grande”
14 de Agosto é a data certa de encerramento da feira taurina de Abíul, ponto de referência já obrigatório dum número crescente de pessoas, incluindo aficionados de solera, no seu cíclico périplo anual e assim foi uma vez mais, com o elegante e alindado tauródromo a registar de novo um preenchimento de três quartos fortes da sua lotação, apenas a escassos oito dias de assim também ter acontecido.
Alberto Reis Cunha, abiulense de gema, já falecido, mas que foi presidente do Sector 1 e integrou a equipa de críticos tauromáquicos que produziu nos anos 60 do século passado a notável página da especialidade que o jornal “O Mundo Desportivo” apresentava às quartas-feiras, bem gostaria de ter visto a praça da sua terra com aquela expressiva e repetida moldura humana, em tempo de crise, tão só intervalada do breve e fugaz espaço de uma semana em relação ao último triunfo em sede de afluência de público, ou seja, “de novo em grande”, expressão esta muito na moda mas aqui chamada à colação com total propriedade e sem martingalas. Assim, a empresa é credora de novo olé, que aqui se lhe credita.
A segunda distinção vai para o ganadeiro Carlos Falé Filipe, que enviou um curro com idade, peso e trapio, animais que pediram meças aos toureiros, por cima de quem majoritariamente estiveram na primeira parte do evento, com as respectivas contas correntes a acusar saldo favorável aos irracionais…
Apenas Luís Rouxinol, campeão também da regularidade, esteve ao seu nível, como, na véspera, na Figueira da Foz, desde logo, na ferragem comprida do primeiro do lote respectivo, em que o toiro se empregou e houve o desenho de belas tiras para, nos curtos, vencida a inicial resistência da montada, ir por aí fora até ao remate com o tradicional par, somente com o senão do adorno na sorte de violino ter sido utilizado antes do tempo.
O segundo correspondia, acudindo, quando desafiado, o que aconteceu, assim proporcionando ao artista de Pegões novo êxito e, a final, o prémio em disputa para a média das melhores actuações.
António Teles apareceu após o intervalo e, mesmo aí, só com as bandarilhas, tendo-lhe o Pintor permitido excelentes, porque genuínos, momentos de toureio, com primorosas preparações e quatro ferros ao estribo de antologia, em sortes ao piton contrário, a saber claramente a pouco no contexto do muito que sempre justificadamente se espera do valoroso ginete da Torrinha.
Também João Salgueiro se luziu apenas no que fechou praça e com o Van Gogh, em cites de poder a poder, em que o hastado se arrancou de largo.
Os forcados de Santarém e de Lisboa acusaram deficiências a nível das ajudas no tocante aos quatros primeiros toiros, que comprometeram o resultado final.
Diogo Sepúlveda, justamente premiado, Seixas Luís, a emendar Roque Lopes e António Grave, pegaram por Santarém; por Lisboa concretizaram João Saramago, Manuel Guerreiro, a dobrar Alexandre Carriço e João Vasco Lucas, todos os seis à primeira tentativa.
Por amável deferência da empresa integrámos o júri que atribuiu os troféus disponíveis e que era também composto pelo veterano crítico João Mascarenhas e por Correia Moniz, conhecido e conhecedor aficionado alentejano, o que teve lugar por unanimidade, uma vez clarificado que, no toureio a cavalo, estava em causa o somatório das intervenções de cada ginete.